LILY'S POV
A casa era grande e bem decorada, com móveis que refletiam um gosto clássico e aconchegante. Aidan começou o tour pela sala de jantar, depois me mostrou a cozinha espaçosa e iluminada, onde o cheiro de comida ainda pairava no ar. Ele apontava cada detalhe com orgulho, descrevendo histórias breves sobre sua família e momentos que tinham vivido em cada cômodo. Era fácil ver que ele amava aquele lugar e que as lembranças o faziam se sentir conectado à casa.
"Agora, vamos subir," ele disse, com um sorriso que quase parecia conspiratório. Eu não pude deixar de sorrir de volta, acompanhando-o pelos degraus bem cuidados da escada.
Subimos até o segundo andar, onde Aidan me mostrou os quartos de hóspedes e, por fim, o quarto de seus pais. Eu ouvia atentamente, mas uma parte de mim ainda estava tentando entender o que ele queria me mostrar de tão especial.
Finalmente, chegamos a uma porta no final do corredor, um pouco afastada das outras. Ele parou na frente dela, a mão no trinco, e se virou para mim com um sorriso meio tímido.
"Este é o meu quarto," ele disse, sua voz mais baixa, quase sussurrando, como se aquilo fosse um segredo.
Eu respirei fundo, sentindo um frio na barriga, mas sorri de volta. "Ok," murmurei.
Ele abriu a porta, revelando o quarto que, ao contrário do que eu esperava, era surpreendentemente organizado. As paredes eram decoradas com pôsteres de bandas de rock e fotografias de viagens. Havia uma estante cheia de livros e uma guitarra encostada ao lado da cama. A cama, aliás, era grande e coberta por uma colcha azul-escura.
Aidan entrou primeiro e eu o segui, sentindo uma estranha mistura de curiosidade e nervosismo. Ele se virou para me encarar, seus olhos brilhando com uma intensidade que eu não havia notado antes.
"Então... o que você acha?" Ele perguntou, gesticulando ao redor.
"É um quarto bonito," eu respondi, tentando manter o tom casual, mas sem conseguir esconder a leve tensão que agora pairava no ar. Estávamos sozinhos, e a proximidade entre nós parecia criar uma pressão invisível.
"Obrigado," ele disse, rindo suavemente. "Eu passo bastante tempo aqui, então tento manter as coisas organizadas... mais ou menos."
Caminhei pelo quarto, observando os detalhes, tentando me distrair. Parei em frente à estante de livros e deslizei os dedos pelas lombadas, notando uma variedade de títulos, desde romances até livros de história e alguns clássicos de ficção científica.
“Você tem um gosto interessante para leitura,” comentei, tentando aliviar a tensão.
Aidan se aproximou de mim, ficando a uma distância próxima, mas respeitosa.
"Você pode pegar qualquer um, se quiser," ele disse, a voz suave.
"Talvez eu faça isso," eu respondi, com um sorriso breve, antes de me afastar um pouco, indo em direção à guitarra encostada na parede. "Você toca?"
"Sim," ele respondeu, a animação voltando ao seu rosto. "Quer que eu toque algo para você?"
Eu hesitei por um momento, olhando para ele. "Claro, adoraria."
Aidan pegou a guitarra e se sentou na cama, ajustando as cordas com cuidado antes de começar a tocar. As notas suaves preencheram o quarto, criando uma atmosfera quase mágica. Ele tocava com paixão e habilidade, os dedos deslizando pelas cordas com facilidade. Era impossível não se deixar levar pela música, e por um momento, esqueci de todo o resto — Samuel, o nervosismo, a estranha tensão entre Aidan e eu.
Quando ele terminou, um silêncio confortável se instalou entre nós.
"Você toca muito bem," eu disse, genuinamente impressionada.
"Obrigado," ele respondeu, com um sorriso tímido. "É uma das poucas coisas que realmente me faz sentir em paz."
Nós ficamos ali por mais alguns minutos, conversando sobre música, livros e tudo o que nos vinha à mente. Aidan era fácil de conversar, e eu me sentia cada vez mais à vontade, apesar de saber que havia algo mais profundo acontecendo entre nós — algo que eu ainda não estava pronta para enfrentar.
Mas então, enquanto ele guardava a guitarra de volta no suporte, o silêncio voltou a pairar, e a realidade da situação se infiltrou novamente. Eu sabia que ele estava esperando algo mais, mas não tinha certeza do que eu mesma estava pronta para dar.
Aidan se sentou ao meu lado, seus olhos intensos buscando os meus. Eu podia sentir a tensão no ar, o peso das expectativas não ditas pairando entre nós. Sem uma palavra, ele se inclinou lentamente, como se estivesse me dando tempo para recuar, mas eu não o fiz. Seu beijo começou suave, seus lábios tocando os meus com uma delicadeza que parecia quase cuidadosa, como se ele estivesse testando o terreno.
Por um momento, tudo pareceu certo. O toque de Aidan era firme, e a sensação dos seus lábios contra os meus trouxe uma onda de calor pelo meu corpo. Eu fechei os olhos, tentando me entregar àquele momento, querendo me convencer de que era isso o que eu desejava. Aidan então aprofundou o beijo, sua mão segurando a lateral do meu rosto enquanto ele lentamente me conduzia para deitar-se na cama.
Eu segui seus movimentos, sem resistência, sentindo o colchão macio abaixo de mim enquanto Aidan se inclinava mais sobre meu corpo. Seu beijo se tornou mais intenso, a respiração mais rápida, e eu tentei me concentrar apenas nele, nas suas mãos explorando minha pele e no calor do seu corpo. As mãos de Aidan deslizavam pelo meu corpo com uma segurança que eu conhecia bem, mas algo dentro de mim resistia, uma parte da minha mente ainda estava em outro lugar, longe daquele quarto.
Enquanto ele beijava meu pescoço, uma lembrança súbita se apoderou de mim. A sensação daquele toque familiar, mas ao mesmo tempo desconcertante, me puxou de volta para outro momento.
De repente, não era mais o quarto onde estávamos agora. Eu me vi de volta ao quarto de hóspedes da casa de Ashley Cooper, a luz fraca das velas preenchendo o ambiente com um brilho suave. Eu estava usando um vestido vermelho, bêbada, e as paredes pareciam girar ao meu redor. Aidan estava sobre mim naquela noite também, me beijando com a mesma intensidade, as mãos dele explorando meu corpo de uma forma que, naquele momento, eu não tinha controle.
A lembrança da confusão e vulnerabilidade daquela noite me atingiu como uma onda, arrastando-me para longe do presente e me jogando de volta àquele sentimento de desconforto. Meu coração acelerou, não de desejo, mas de ansiedade.
Instintivamente, empurrei Aidan para longe, o gesto tão abrupto que ele recuou imediatamente, olhando para mim com os olhos arregalados, surpreso.
"Lily, o que foi?" ele perguntou, sua voz cheia de confusão e preocupação.
Eu me sentei na cama, o peito subindo e descendo rapidamente enquanto eu tentava encontrar palavras que fizessem sentido. O ar no quarto parecia mais denso, e meu corpo ainda tremia com a lembrança vívida da noite que eu tentava apagar.
"Eu... eu não posso, Aidan," murmurei, minha voz quase um sussurro. Eu m*l conseguia olhar para ele. As emoções que me invadiram eram confusas, uma mistura de culpa, vergonha e uma necessidade desesperada de me distanciar daquele momento.
Aidan se aproximou, mais cauteloso dessa vez, seus olhos me observando com cuidado, como se estivesse tentando entender algo que ele não conseguia ver.
"Lily, eu fiz alguma coisa errada? Se você não quiser, está tudo bem, eu não queria te pressionar."
Suas palavras foram gentis, mas o peso do que estava se passando na minha mente não era algo que ele podia resolver. Não era apenas o momento. Era o que ele representava, o que eu estava tentando superar. Eu balancei a cabeça, tentando encontrar alguma forma de explicar.
"Não, Aidan, não é isso. Você não fez nada de errado." Minhas palavras saíram rápidas, quase atropeladas, na tentativa de aliviar a preocupação que ele sentia. "É só que... eu não consigo."
Ele franziu o cenho, claramente ainda confuso.
"Não consegue o quê?"
Eu respirei fundo, tentando controlar a agitação que crescia dentro de mim.
"Acho que... devíamos voltar para a sala," eu disse finalmente, tentando soar casual. “Seus pais devem estar preocupados com a gente.”
Aidan assentiu, embora eu pudesse ver uma leve decepção em seus olhos.
"Claro, vamos."
Ele abriu a porta para mim, e eu saí do quarto, sentindo um peso estranho no peito. Enquanto caminhávamos de volta para a sala de estar, eu não pude deixar de pensar em como tudo parecia estar mudando tão rápido.