CAPITULO 76

1003 Words
SAMUEL’S POV Enquanto o carro deslizava pela estrada de volta para casa, eu estava no banco de trás, preso nos meus próprios pensamentos. Minha mãe, Samantha, e Doug conversavam alegremente sobre o almoço com Lily, e eu não conseguia escapar da imagem incômoda dela na casa de Aidan Lewis. Aquele i****a. A cena se repetia na minha mente como uma tortura: Lily, sorrindo, sendo apresentada à família dele, recebendo elogios, bajulada e acolhida. Ela provavelmente estava sendo vista como a garota perfeita, a namorada que qualquer cara desejaria. Eu não conseguia parar de imaginar como seria o almoço. Será que Lily estava gostando? Será que ela estava impressionada com a casa deles, com a sofisticação, com o jeito acolhedor da família? Será que eles já estavam fazendo planos para ela voltar mais vezes? A cada pensamento, um nó se apertava no meu estômago. Mas então, as imagens na minha cabeça ficaram piores. E se, depois do almoço, Aidan mostrasse a casa para ela? E se ele a levasse para o quarto dele? O que fariam lá? Eu odiava pensar nessas coisas, mas as imagens vinham, incontroláveis, como se minha mente quisesse me punir. E se eles acabassem indo para a cama? Eu apertei os punhos, sentindo o suor escorrer nas palmas das mãos. Era um cenário insuportável. "Eu realmente acho que Lily e Aidan podem dar certo, sabe?", disse minha mãe, a voz dela cortando meus pensamentos como uma faca. Doug concordou. "Aidan é um bom rapaz, Samantha. Ele parece ser sério, responsável. Lily teria sorte." Minha respiração ficou pesada. Sorte? Com ele? Eu queria gritar que eles estavam errados, que Lily não precisava de Aidan. Que ela já era incrível sem aquele i****a. Mas eu não podia falar isso. Então, permaneci em silêncio, olhando pela janela, tentando não deixar que o tumulto dentro de mim explodisse. Quando chegamos em casa, desci do carro sentindo que o peso no meu peito só aumentava. Eu sabia que precisava tirar isso da cabeça. Precisava focar em algo que me desse controle, algo que fosse só meu. Minha banda, *The Wild Ones*. Era isso que importava agora. Enquanto Samantha e Doug seguiam para dentro da casa, eu fiquei para trás, tentando organizar meus pensamentos. Eu sabia o que precisava fazer, mesmo que isso significasse ter uma conversa difícil com minha mãe. Respirei fundo e fui atrás dela. Encontrei-a na sala, organizando algumas coisas na mesa. "Mãe, podemos conversar?", perguntei, minha voz saindo um pouco mais tensa do que eu pretendia. Ela parou o que estava fazendo e olhou para mim, seus olhos azuis brilhando com uma mistura de curiosidade e cansaço. "Claro, Samuel. O que é?" Eu hesitei por um momento, mas não tinha mais volta. "Eu preciso que você me ajude com algo... com a banda." Ela suspirou profundamente, como se já soubesse onde isso iria dar. "Samuel, nós já conversamos sobre isso. A banda não vai te dar o futuro que você merece. Seu lugar é em Juilliard." Eu fechei os olhos por um segundo, tentando manter a calma. Eu não queria discutir, mas também não podia simplesmente aceitar. "Eu não quero brigar com você, mãe," disse, minha voz mais baixa. "Mas você sabe o quanto *The Wild Ones* é importante para mim. Eu não estou pedindo muito. Só quero uma chance." Ela cruzou os braços, já preparada para rebater o que eu dissesse. "Você tem uma chance, Samuel. E essa chance está em Juilliard. Não em uma banda de garagem que não vai te levar a lugar nenhum." Minhas mãos começaram a tremer de frustração, mas eu precisava ser racional. "Eu sei que você se preocupa comigo, e eu aprecio isso, de verdade. Mas, se eu for para Juilliard sem antes tentar com a banda, vou passar o resto da minha vida me perguntando 'e se?' Eu só preciso que você me ajude a conseguir uma audição com alguns produtores. Se a banda não der certo, eu vou pra Juilliard. Sem discussões." Samantha me olhou, seus olhos suavizando um pouco, mas ainda havia um ar de desaprovação. "Você realmente quer ir por esse caminho, Samuel?" Eu assenti, determinado. "Sim. Cinco audições. Só isso. Se três deles disserem que não, eu desisto da banda e vou para Juilliard. Mas, por favor, me dá essa chance." Ela suspirou de novo, dessa vez mais longa, como se estivesse tentando processar tudo. O silêncio entre nós era pesado, mas eu sabia que precisava dar tempo a ela para considerar o que eu estava pedindo. Finalmente, ela descruzou os braços e olhou diretamente nos meus olhos. "Três," disse ela, com uma firmeza que me fez prender a respiração. "Se um deles disser que a banda não vale a pena, você vai para Juilliard. E não é negociável." Eu pisquei, surpreso pela dureza do acordo. Isso reduzia bastante as minhas chances, mas eu sabia que não havia outra saída. Se eu quisesse tentar, teria que aceitar suas condições. "Tá bom," eu disse, relutante, mas aceitando a batalha. Samantha assentiu, como se tivesse acabado de resolver uma questão importante. "Eu vou fazer as ligações na segunda-feira. Mas você tem que se preparar para a realidade, Samuel. Se isso não der certo, não vai ter mais volta." Eu assenti, tentando manter minha expressão neutra, embora o medo e a ansiedade estivessem borbulhando dentro de mim. "Eu entendo." Ela se virou, voltando aos seus afazeres, como se a conversa já estivesse resolvida. Mas, para mim, a verdadeira batalha só estava começando. Fui para o meu quarto, sentindo o peso da decisão nas costas. Eu sabia que minha mãe estava certa em alguns pontos, mas eu não podia simplesmente abandonar a música, abandonar *The Wild Ones*, sem antes tentar. Deitei na cama, os pensamentos ainda correndo pela minha mente, mas dessa vez o foco não era mais em Lily e Aidan. Era na minha música, no meu futuro. Se eu não conseguisse convencer pelo menos um produtor de que a banda tinha potencial, meu destino estaria selado em Juilliard. Era isso ou nada.
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