Lily Thompson A chaleira apitou pela terceira vez. Emily desligou o fogo, como sempre com aquele cuidado automático de quem cresceu fazendo tudo certinho, e começou a mexer nos saquinhos de chá como se estivesse executando uma cirurgia delicada. Eu a observava , segurando a bancada com as duas mãos, sentindo o calor fantasma do porcelanato frio. A cozinha da Emily continuava sendo a mesma de sempre — os azulejos brancos, a mesa redonda de madeira, a janela que dava pro vizinho m*l-humorado que reclamava de tudo. Eu podia andar por ali de olhos fechados. Era minha segunda casa por anos. Era o lugar onde passei tardes inteiras fazendo trabalhos de escola, estudando para provas, assistindo filmes proibidos, brigando com a Emily por bobagens e rindo de tudo. Mas agora… Eu me sentia uma

