LILY'S POV
O pânico começou a crescer dentro de mim de uma forma que eu nunca tinha sentido antes. Meu coração batia tão rápido que parecia que ia explodir no peito, e a sensação de que eu estava sendo sufocada se intensificava a cada segundo. O parque, que já era uma distorção bizarra, parecia agora estar desmoronando ao meu redor, as cores se misturando em uma confusão frenética que tornava impossível focar em qualquer coisa.
"Eu... eu não consigo... isso não tá certo..." murmurei, minhas mãos tremendo enquanto tentava me agarrar a alguma realidade, mas tudo parecia escorregar pelos meus dedos.
Ashley, que até então estava rindo e brincando com Aidan, finalmente notou o estado em que eu estava. Seu rosto, antes descontraído, agora mostrava uma expressão de preocupação. Ela se inclinou na minha direção, seus olhos arregalados de leve.
"Aidan, acho que isso tá ficando fora de controle. Ela tá m*l!" disse Ashley, sua voz cheia de uma urgência que eu não tinha ouvido antes.
Aidan olhou para mim, sua expressão inicialmente divertida, mas agora visivelmente mais séria. Ele colocou a mão no meu ombro, tentando me acalmar, mas o toque só piorava a sensação de pânico. Eu tentei me afastar, mas meu corpo não parecia obedecer.
"Tá, tá, tudo bem. Vou levá-la pra casa," disse Aidan, ainda tentando manter a calma na situação, mas sua voz também tremia um pouco.
Minhas pernas estavam fracas, e eu m*l conseguia me manter de pé enquanto Aidan e Ashley me guiavam até o carro. Tudo ao meu redor continuava a girar, e as formas disformes do parque me perseguiam mesmo com os olhos fechados. Senti o estômago embrulhar e minha cabeça latejar com uma intensidade assustadora.
Flashes começaram a invadir minha mente — momentos fragmentados de nós no carro. Eu via a cabeça de Aidan, mas de alguma forma ela parecia aumentar, se deformar até ocupar todo o espaço ao meu redor. Ele estava falando algo, mas eu só conseguia ouvir uma mistura de sons distorcidos, como se estivesse submersa em água.
Ashley dizia alguma coisa, e, por um breve instante, eu ri — uma risada descontrolada que não fazia sentido, que vinha de um lugar de puro desespero. Eu não conseguia controlar meu corpo, minha mente, nada.
Mais flashes.
Ashley ao meu lado, falando algo enquanto o carro se movia. Eu olhava para ela, mas suas palavras eram um borrão. Minha mente tentava se agarrar a qualquer fragmento de realidade, mas tudo deslizava como areia entre os dedos.
E então, de repente, eu estava na frente de casa.
O mundo ao meu redor ainda girava violentamente, mas eu reconhecia o local — a porta familiar, o jardim... Eu tentava focar, mas as luzes ao redor da casa piscavam de maneira errática, como se estivesse em algum tipo de pesadelo alucinatório.
Ashley estava ao meu lado, me segurando pelo braço, tentando me manter estável, mas tudo parecia estar fora de controle. A sensação de que algo estava terrivelmente errado ainda estava em mim, e o fato de eu não conseguir localizar Aidan só piorava meu pânico. Onde ele estava?
"Cadê... cadê o Aidan?" murmurei, minha voz saindo fraca e arrastada.
Ashley olhou para mim rapidamente, mas antes que pudesse responder, a porta da casa se abriu. Samuel, meu irmão, estava lá. O rosto dele parecia confuso, preocupado, e sua expressão imediatamente endureceu ao ver meu estado.
"O que tá acontecendo aqui?" ele perguntou, a voz grave, olhando de mim para Ashley com uma mistura de suspeita e preocupação.
Ashley soltou uma risada nervosa, levantando as mãos em um gesto de rendição. "Calma, Samuel. A gente só estava estudando... aí, sabe, decidimos acender um pra relaxar. Nada demais, só que, bom... Lily ficou um pouco paranoica."
Eu tentei focar nas palavras de Ashley, mas a cabeça de Samuel parecia se multiplicar na minha visão, como se eu estivesse olhando para ele através de um caleidoscópio. O som ao meu redor estava abafado, como se viesse de um lugar distante, enquanto minha mente oscilava entre a realidade e a ilusão.
"Há quanto tempo isso?" Samuel perguntou, claramente tentando manter a calma, mas havia um tom de urgência em sua voz.
"Ah... sei lá, uma ou duas horas talvez?" Ashley respondeu, soando incerta. Ela estava se mexendo nervosamente, e eu percebia, mesmo em meu estado alterado, que ela sabia que havia algo seriamente errado.
Eu tentei focar em Samuel, tentando encontrar algum ponto de estabilidade na situação. Mas meu campo de visão continuava girando, como se o mundo estivesse preso em uma espiral incontrolável. As palavras ao meu redor pareciam se desfazer no ar, sem fazer sentido.
"Cadê... Aidan?" perguntei novamente, mas minha voz parecia distante até para mim. A ausência dele parecia cada vez mais estranha, e meu coração acelerou com a sensação de que algo estava errado.
Ashley evitou meus olhos, e eu percebi que ela não ia responder. A cabeça de Samuel, antes apenas uma presença preocupante, agora parecia estar crescendo, como se ele estivesse se inclinando sobre mim, se aproximando demais, sua voz se misturando com o som dos meus batimentos cardíacos acelerados.
Então, de repente, tudo começou a girar mais rápido.
A luz da entrada da casa piscava violentamente, as formas ao meu redor se distorciam e se mesclavam, e eu senti meu corpo perder o controle completamente. Eu caí de joelhos, minha visão ficando embaçada, o chão parecia desaparecer debaixo de mim.
Eu estava à beira de algo, algo terrível, mas não conseguia entender o que. A última coisa que ouvi antes de tudo escurecer foi Samuel gritando meu nome, e então o mundo ao meu redor se desfez em completo caos.