CAPITULO 83

1887 Words
Meu coração disparou no peito, e eu senti meu corpo todo ficar tenso. Engoli em seco, desviando o olhar do cigarro. “Eu… eu não fumo,” murmurei, tentando soar firme, mas minha voz saiu mais fraca do que eu gostaria. Ashley riu, jogando a cabeça para trás como se a minha resposta fosse a coisa mais ridícula que ela já tinha ouvido. “Lily, você é muito careta. Vai, não é nada demais.” Olhei para o cigarro, ainda na mão de Aidan, a fumaça subindo em espirais preguiçosas. Balancei a cabeça, tentando afastar a pressão crescente. "É melhor não... eu tô bem, de verdade." Ashley se deitou de novo na grama, começando a bater levemente com as mãos no chão, criando um ritmo repetitivo. "Fuma, fuma, fuma," ela começou a cantar, seu tom leve e provocativo. Aidan rapidamente entrou no coro, sua voz se juntando à de Ashley. "Fuma, fuma, fuma," ele repetia, olhando para mim com um sorriso de desafio. O cigarro ainda estava estendido na minha direção, como se estivesse apenas esperando que eu cedesse. Eu balancei a cabeça de novo, desta vez com mais firmeza. "É sério, eu não sei fumar. Nem sequer sei tragar." Houve um silêncio breve, e então Aidan olhou para Ashley, uma sobrancelha arqueada. "Lily não sabe fumar." Ashley voltou-se para Aidan com um sorriso travesso. “Ah, pelo visto, a Lily é virgem.” Ela riu, a palavra carregada de implicações. Eu senti meu rosto esquentar na hora, uma onda de vergonha tomando conta de mim. "O quê?" Perguntei, olhando para os dois sem entender. Aidan estreitou os olhos, encarando Ashley como se estivesse considerando algo. "Parece que é sim," ele respondeu com um tom pensativo, como se estivesse avaliando a situação. "E agora, o que a gente faz?" Ashley deu um sorriso largo, a ponta de seus lábios se curvando de um jeito que me deixava ainda mais desconfortável. "Só tem uma coisa a fazer." Olhei de um para o outro, o coração batendo rápido, minha mente começando a girar em confusão e nervosismo. "Vocês sabem que eu tô aqui, né?" Perguntei, tentando aliviar a tensão com uma risada nervosa, mas nenhum dos dois parecia disposto a me tranquilizar. Aidan se inclinou em minha direção, segurando o cigarro novamente, e me olhou nos olhos. "Que tal a gente tentar de um jeito diferente?" Eu engoli em seco, meus olhos se fixando nos dele. "Como assim?" Perguntei, sem saber exatamente o que ele tinha em mente, mas pressentindo que não era algo que eu iria gostar. Ele não respondeu de imediato. Em vez disso, ele tragou profundamente o cigarro mais uma vez, seus olhos nunca deixando os meus. Então, antes que eu pudesse reagir, ele estendeu a mão e segurou a parte de trás da minha cabeça, me puxando para mais perto. O tempo pareceu desacelerar enquanto eu tentava processar o que estava acontecendo, mas não consegui reagir rápido o suficiente. Aidan me beijou, seus lábios pressionados contra os meus de uma forma que me pegou totalmente de surpresa. Senti o calor da fumaça quando ele a soltou da sua boca para a minha. O gosto forte e amargo do cigarro me invadiu, e imediatamente comecei a tossir, puxando minha cabeça para trás enquanto tentava recuperar o ar. Minha tosse ecoou pelo parque, e os dois riram alto da minha reação. A tosse não parava, e eu m*l conseguia respirar enquanto tentava me recompor. "Isso não tem graça," consegui dizer entre tosses, meu rosto vermelho e a garganta queimando. Ashley ainda ria, sua risada leve e zombeteira. "Daqui a pouco vai ter, pode acreditar." Fiquei confusa com o que ela quis dizer, mas antes que pudesse responder, comecei a sentir algo estranho. Minha cabeça ficou leve, como se o mundo ao meu redor estivesse começando a flutuar. As cores do parque pareciam mais vivas de repente, e o som ao nosso redor ficou abafado, como se estivéssemos dentro de uma bolha. Olhei para Aidan e Ashley, mas os dois pareciam estar se movendo de maneira lenta, quase como em um sonho. Meu coração acelerou ainda mais, e o desconforto que eu sentia antes foi rapidamente substituído por um sentimento de pânico. Tudo parecia distorcido, e minha mente estava em um turbilhão de pensamentos desconexos. Era como se eu estivesse presa em uma realidade diferente, uma realidade que eu não entendia e da qual eu queria desesperadamente sair. "Ashley..." minha voz saiu trêmula, m*l audível. "O que está acontecendo?" Ela sorriu para mim, os olhos dela parecendo se acender com uma mistura de diversão e algo mais que eu não conseguia identificar. "Relaxa, Lily. Você só precisa se soltar um pouco. Aproveitar o momento." Mas eu não conseguia relaxar. Minha cabeça girava, e a última coisa que queria era estar ali. Senti minhas mãos tremerem enquanto tentava me levantar, mas meus movimentos eram lentos e descoordenados. O mundo ao meu redor começou a girar. As cores do parque, que antes eram vibrantes e nítidas, começaram a se distorcer, como se alguém tivesse borrado os limites entre elas. O verde da grama parecia se misturar com o céu, que agora pulsava em tons de roxo e laranja, criando um cenário surreal. As risadas de Aidan e Ashley ecoavam em meus ouvidos, distantes e deformadas, como se estivessem rindo debaixo d'água. Meus pés estavam firmemente plantados no chão, mas era como se o solo estivesse se afastando de mim. Cada vez que eu tentava me levantar ou dar um passo, parecia que a distância entre mim e o chão aumentava, deixando-me suspensa em um vazio desconfortável. Senti o ar denso, como se cada respiração fosse uma luta, e minha visão estava ficando turva. Eu piscava várias vezes, tentando clarear a mente, mas tudo ao meu redor continuava se movendo e mudando. "Ashley... Aidan?" Minha voz saiu fraca, m*l reconhecível, quase como se outra pessoa estivesse falando por mim. "Olha só para ela!" Ashley riu, sua voz ecoando e se distorcendo enquanto seus olhos, que antes pareciam normais, agora brilhavam de um jeito quase animalesco. Seu rosto começou a se esticar e a distorcer na minha visão, como se ela estivesse derretendo e se transformando em algo desconhecido. Sua risada parecia vir de todas as direções ao mesmo tempo, alta, esmagadora. "Você tá bem, Lily?" Aidan perguntou, mas sua voz soava distante, e quando olhei para ele, vi seu rosto se transformar, seus olhos pareciam muito maiores, como buracos negros, e seu sorriso, que antes era charmoso, agora se distorcia numa careta sinistra, zombando de mim. Eu tentei me mover, mas minhas pernas não me obedeciam. Olhei para minhas mãos e elas pareciam pertencer a outra pessoa — alongadas, translúcidas, como se eu estivesse me desintegrando. O pânico tomou conta de mim, e o peso da realidade começou a se desfazer em fragmentos. O parque ao meu redor se transformou em algo irreconhecível. As árvores, que antes estavam tranquilamente balançando ao vento, agora pareciam se inclinar em minha direção, como se estivessem vivas e me observando, suas folhas sussurrando palavras que eu não conseguia entender. Cada vez que uma folha caía, eu sentia como se estivesse sendo observada por milhares de olhos invisíveis, julgando cada movimento, cada respiração. "Tudo... tudo tá errado..." sussurrei, sentindo minha garganta seca, a voz quase um grito abafado. De repente, o chão começou a se mover. Ele não era mais sólido — parecia líquido, como se eu estivesse prestes a ser engolida pela terra. Meus pés afundavam na grama, como se estivesse caminhando em areia movediça. Tentei gritar, mas minha voz se perdeu no ar, engolida pelas risadas e pelas distorções ao meu redor. Ashley se aproximou de mim, seu rosto agora completamente deformado, com um sorriso que se esticava de um lado ao outro, quase como se não tivesse mais fim. Ela estava me chamando, mas as palavras dela não faziam sentido. Era um borrão de sons e risadas, uma mistura insana de vozes que só me confundia ainda mais. "Relaxa, Lily! Você precisa se soltar!" A voz dela se dividiu em várias camadas, ecoando, enquanto ela se aproximava mais e mais, até que sua presença parecia me cercar, como uma sombra. Meus pulmões pareciam apertados, como se o ar ao meu redor estivesse sendo sugado. Olhei desesperadamente ao redor, tentando encontrar uma saída, mas cada direção que olhava era uma versão distorcida do parque. A água do lago, que antes refletia o céu, agora fervia, borbulhando como se estivesse viva, e as árvores pareciam dançar em câmera lenta, movendo-se de maneira surreal. Aidan apareceu ao meu lado, rindo com Ashley, seus olhos brilhando de uma maneira que me assustava. Ele colocou a mão no meu ombro, e mesmo esse toque simples parecia se espalhar pelo meu corpo como uma corrente elétrica. Eu estremeci, mas era como se não conseguisse afastá-lo. "Lily, você tá vendo o que a gente vê agora?" A voz dele estava distorcida, quase um sussurro demoníaco, algo que não parecia humano. Eu queria gritar, queria fugir, mas meu corpo não respondia mais. Olhei para o cigarro ainda na mão de Aidan, a fumaça subindo lentamente, parecendo formar padrões que flutuavam ao meu redor, me prendendo em uma teia invisível. Então, o céu começou a escurecer de forma abrupta. As nuvens se moviam rápido demais, como se o tempo estivesse avançando em ritmo acelerado. Um vento forte começou a soprar, uivando, e eu sentia como se estivesse sendo sugada por uma tempestade que não existia. A sensação de ser observada se intensificou, e cada sussurro no vento parecia estar direcionado a mim, chamando meu nome, me cercando. Minha mente estava em um caos absoluto, incapaz de distinguir o que era real do que era uma alucinação. A cada segundo, o parque ao meu redor se transformava em algo mais assustador e surreal. As árvores, que antes pareciam amigáveis, agora eram como gigantes disformes, se curvando sobre mim, como se fossem me engolir. Os pássaros no céu, que antes cantavam tranquilamente, agora eram sombras distorcidas, voando em círculos sobre minha cabeça. Eu não conseguia mais respirar direito. O ar parecia pesado, cada inspiração era um esforço monumental. Eu tentei me levantar novamente, mas minhas pernas não cooperavam. Eu estava presa naquele pesadelo, enquanto Aidan e Ashley continuavam rindo, completamente alheios ao que eu estava sentindo. Eles estavam zombando de mim, suas risadas ecoando na minha cabeça, se misturando com os sussurros do vento e das árvores ao meu redor. O som era insuportável, e eu queria cobrir os ouvidos, mas meus braços pareciam colados ao meu corpo. "Isso... isso não pode estar acontecendo..." sussurrei, mas minha própria voz parecia distante, perdida no turbilhão de sons e cores ao meu redor. Eu não sabia mais o que era real. O parque, Aidan, Ashley, tudo parecia uma fantasia distorcida que eu não conseguia escapar. Eu estava presa, e o pânico crescia dentro de mim, apertando meu peito até que eu m*l conseguia respirar. Então, tudo começou a desacelerar. As risadas de Aidan e Ashley ficaram mais suaves, como se estivessem se distanciando. As árvores pararam de se mover, e o céu, que antes estava em caos, começou a se acalmar. Mas eu ainda estava lá, presa naquele espaço entre o real e o imaginário, incapaz de entender como cheguei ali e, pior ainda, como sair.
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