CAPITULO 85

1241 Words
SAMUEL’S POV Eu nunca tinha sentido meu coração bater tão rápido. O momento em que vi Lily cambaleando à minha frente foi como se o tempo parasse. A porta da casa estava escancarada, e eu, ali parado, sem entender direito o que estava acontecendo, assistia minha irmã perder o controle do próprio corpo. Seus movimentos estavam descoordenados, como se ela não soubesse mais como andar. "Lily!" gritei, correndo até ela. Quando meus braços a alcançaram, ela já estava caindo, e eu m*l consegui segurá-la antes que seu corpo desabasse no chão. Suas pernas pareciam feitas de borracha, e sua cabeça pendeu para o lado como se todo o peso do mundo tivesse se concentrado nela. O desespero tomou conta de mim. "Lily, por favor, acorda," sussurrei, a voz embargada pela angústia. O peso dela nos meus braços parecia surreal, como se, de alguma forma, tudo estivesse acontecendo em câmera lenta. Eu sacudi seus ombros levemente, na esperança de que ela estivesse apenas grogue ou desorientada, mas seus olhos estavam fechados, e a respiração dela, embora rítmica, era fraca. Meus dedos tremiam enquanto eu segurava o rosto dela entre as mãos, tentando encontrar algum sinal de que ela estava me ouvindo. Nada. Apenas a fragilidade dela, o corpo mole, os lábios secos. Meu estômago revirou. "Eu preciso ir," ouvi uma voz atrás de mim, e foi só então que me lembrei de Ashley. Ela estava parada ali, a alguns passos de distância, com uma expressão que eu não conseguia decifrar. Era medo? Culpa? Talvez ambos. Não importava. "Espera! Você não pode simplesmente sair assim!" Eu a encarei com uma mistura de raiva e desespero. Minha irmã estava inconsciente nos meus braços, e tudo o que Ashley conseguia pensar era em ir embora? Ela balançou a cabeça, nervosa. "Samuel, eu... eu sinto muito, de verdade, mas... eu tenho que ir. Meus pais vão surtar se eu não voltar logo. Isso... isso não foi minha culpa." "Não foi sua culpa?" perguntei, sem acreditar no que estava ouvindo. A adrenalina que corria pelo meu corpo começava a se transformar em raiva, e eu m*l conseguia controlar o volume da minha voz. "Você está vendo o estado da Lily? Ela está... está... assim por causa de você! O que vocês fizeram?" Ashley deu alguns passos para trás, como se eu fosse avançar sobre ela. Eu nunca levantaria a mão para ninguém, mas o pânico e a raiva estavam me dominando, e talvez ela estivesse percebendo isso. "Foi só um cigarro... só isso," ela murmurou, evitando meu olhar. "Ela não aguentou bem, acho que... ficou forte demais para ela." Meu coração parou por um segundo. **Um cigarro?** Não podia ser só isso. Havia algo mais. Eu sabia que a Lily nunca fumaria de forma voluntária, nunca faria algo assim sem uma pressão externa. Eu a conhecia melhor do que ninguém. Ela era minha irmã mais nova, e sempre foi responsável, sempre evitou essas coisas. Então como isso aconteceu? "Você deu alguma coisa pra ela?" perguntei, minha voz um sussurro ameaçador. Ashley balançou a cabeça freneticamente. "Eu não forcei ela a nada! A gente... só tava relaxando, ok? Foi ideia do Aidan." O nome dele fez meu sangue ferver. Claro que tinha que ser ele. Aidan, com seu jeito arrogante, sempre bancando o legal, sempre achando que podia fazer o que quisesse com as pessoas ao redor. Eu sabia que ele tinha uma má influência sobre a Lily, mas nunca pensei que algo assim pudesse acontecer. "Onde ele está agora?" perguntei, a voz cheia de veneno. "Por que ele não tá aqui ajudando, se foi ideia dele?" Ashley mordeu o lábio inferior, claramente desconfortável. "Ele foi embora... ele disse que não queria confusão, que era melhor sumir por enquanto." Eu não conseguia acreditar no que estava ouvindo. **Ele simplesmente fugiu.** Deixou minha irmã inconsciente no meio dessa situação e foi embora, como o covarde que ele sempre foi. "Eu vou m***r esse desgraçado," murmurei para mim mesmo, apertando Lily ainda mais nos meus braços. O rosto dela estava pálido, e a cada segundo que passava, o medo de que algo pior acontecesse crescia dentro de mim. "Samuel, eu realmente preciso ir," insistiu Ashley, mais uma vez se afastando. "Vai, então!" gritei, a voz finalmente explodindo com toda a raiva acumulada. "Mas saiba que você vai ter que responder por isso. Você e o Aidan. Eu não vou deixar isso passar." Ashley hesitou por um momento, mas, em seguida, virou-se rapidamente e saiu correndo. O som dos passos dela desaparecendo no asfalto ecoava na minha mente enquanto eu ficava ali, sozinho, segurando minha irmã inconsciente nos braços. O que eu deveria fazer? Meu coração batia descontrolado enquanto eu tentava pensar com clareza. Deveria levá-la ao hospital? Chamar uma ambulância? Ligar para nossos pais? Cada opção parecia confusa e assustadora. Minha mente estava em um caos absoluto. A única coisa que eu sabia com certeza era que precisava agir rápido. Com um esforço tremendo, levantei Lily nos braços e a levei para dentro de casa. Ela ainda estava mole, como uma boneca de pano, e a sensação de impotência me dominava enquanto a deitava no sofá da sala. "Lily, por favor, acorda," murmurei novamente, sem saber mais o que fazer. Minhas mãos tremiam enquanto eu verificava a respiração dela. Estava lenta, mas constante. Isso era bom, certo? Mas e se o que quer que ela tivesse consumido estivesse piorando com o tempo? Eu peguei meu celular, as mãos ainda trêmulas, e disquei o número da emergência. Cada segundo parecia uma eternidade enquanto o telefone chamava. Finalmente, uma voz do outro lado da linha atendeu. "Emergência. Qual a situação?" "É minha irmã," falei, tentando controlar o pânico na voz. "Ela... ela desmaiou. Acho que ela usou alguma coisa, fumou... eu não sei o quê. Ela não está acordando." A atendente pediu para eu manter a calma, mas isso era impossível. Como eu poderia ficar calmo? Minutos depois, enquanto eu estava agachado ao lado de Lily, acariciando seus cabelos e implorando para que ela ficasse bem, ouvi o som das sirenes se aproximando. Os paramédicos entraram rapidamente, e eu fui forçado a me afastar enquanto eles examinavam Lily. Eu me senti impotente, apenas observando enquanto eles verificavam seus sinais vitais, aplicavam oxigênio e faziam perguntas que eu m*l conseguia responder. "Ela vai ficar bem?" perguntei, a voz embargada. "Ela está respirando, o que é um bom sinal," respondeu um dos paramédicos. "Mas vamos levá-la ao hospital para monitoramento. Parece que ela teve uma reação adversa a alguma substância." Eu balancei a cabeça, ainda em choque com tudo o que estava acontecendo. O medo de perder Lily era avassalador, mas saber que ela estava viva e respirando me deu um mínimo de alívio. Enquanto eles colocavam Lily na maca e a levavam para a ambulância, tudo o que eu conseguia pensar era em Aidan e Ashley. Eu não podia acreditar que eles fizeram isso com minha irmã. Eu tinha falhado em protegê-la, e agora estava pagando o preço por isso. Mas não ia deixar isso acabar assim. Eu ia encontrar Aidan, ia fazer com que ele pagasse pelo que fez. E Ashley também. Eles não iam se livrar dessa facilmente. Com o coração pesado e a mente tomada por promessas de vingança, entrei no carro e segui a ambulância em direção ao hospital. A única coisa que importava agora era garantir que Lily ficasse bem — e depois disso, eu resolveria o resto.
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