CAPITULO 89

1156 Words
SAMUEL'S POV Dirigir parecia ser a única coisa que me acalmava um pouco. A raiva, a frustração, tudo se acumulava, tornando minha cabeça um caos. Minha mente girava em torno de uma única coisa: Lily. Ela mentiu, me jogou para os leões, enquanto acobertava Aidan e Ashley. O que diabos ela estava pensando? Por que ela faria isso comigo? Eu confiava nela. E agora, estava lá, sozinha no hospital, e a única coisa que conseguia pensar era em como ela tinha mudado tanto em tão pouco tempo. Parei o carro em frente à casa do John, meu melhor amigo e baixista da banda. O cara sempre tinha as palavras certas, mesmo quando eu não queria ouvir. Bati na porta com força, descarregando um pouco da minha frustração, enquanto esperava que ele aparecesse. Eu não sabia bem o que queria dizer, mas precisava falar com alguém antes que explodisse de vez. Depois de alguns minutos que pareceram uma eternidade, a porta se abriu, revelando John, com os olhos inchados e cara de quem estava dormindo profundamente. “O que aconteceu?” ele perguntou, esfregando os olhos e tentando entender por que eu estava ali, às duas da manhã, parecendo que ia explodir. Entrei sem pensar duas vezes, empurrando a porta enquanto passava por ele. “Eu não acredito que ela teve coragem de fazer isso comigo!” soltei de uma vez, minha voz carregada de raiva. John, ainda meio perdido, fechou a porta atrás de mim e bufou. "Boa noite pra você também, Samuel. E quem teve coragem de fazer o quê com quem?" Me virei para ele, frustrado. Como ele não sabia? Não tinha como não ser óbvio. "Lily!" exclamei, sentindo a raiva subir novamente. "Ela mentiu que não estava com Aidan e Ashley, e aí, adivinha quem se ferrou? Eu! Sobrou pra mim!" John revirou os olhos, como se já soubesse que esse seria o motivo. "Claro que é sobre a Lily. Sempre é sobre a Lily." "Eu só queria entender o porquê," continuei, ignorando o sarcasmo de John. "Por que ela mentiu? O que Aidan tem que eu não tenho? Por que ela faria isso?" John se jogou na poltrona ao lado e soltou um suspiro exagerado. "Bom, só para você saber," ele disse, como quem revela algo sem importância, "a Lily deu um t**a no rosto da Emily durante uma discussão. Só pra você ver até onde as coisas estão indo." Fiquei paralisado por um momento. "O quê? Isso não pode ser verdade." John deu de ombros, como se o assunto fosse algo banal. "É, cara. Parece que a doce e inocente Lily não é tão doce assim. Quem diria, né?" Me sentei no sofá, sentindo o peso de tudo aquilo me esmagando. "Não é possível que ela tenha mudado tanto em tão pouco tempo," murmurei, tentando encontrar algum resquício da garota que eu conhecia. John me olhou com desinteresse, pegando uma lata de refrigerante de uma mesa próxima. "Olha, pra ser bem honesto, eu não tô nem aí pra essa história de adolescente dramática. Lily está agindo como qualquer outra adolescente histérica da idade dela. Deixa ela fazer as cagadas dela. Não era importante antes, lembra?" Eu sabia que ele estava certo, mas ouvir isso me fazia sentir pior. Antes, eu tinha prometido a mim mesmo que não me envolveria demais. Que ficar com Lily seria apenas uma diversão, nada sério. Mas agora, as coisas eram diferentes. Muito diferentes. "O problema é que agora ela faz parte da minha família." John riu baixinho, bebendo seu refrigerante. "Família, hein? Vamos ser sinceros, Samuel. O problema não é que ela faz parte da sua família. O problema é que você tá apaixonado por ela, e não quer admitir. E se continuar assim, Lily vai ser sua ruína." Fiquei em silêncio por um momento, o comentário dele ecoando na minha cabeça. Apaixonado? Não, isso não era verdade. Não podia ser verdade. Eu era mais racional do que isso. Sabia separar as coisas. Mas... algo na forma como John disse aquilo, como se já soubesse o que eu estava pensando antes mesmo de eu admitir, me fez hesitar. Olhei para ele, irritado. "Isso não é verdade," disse firmemente, mas a insegurança estava ali, presente na minha voz. John se levantou, sem parecer muito interessado em continuar o assunto. "Certo. O que você disser, cara. Eu vou pegar um travesseiro e uma coberta pra você. Você claramente não vai voltar pra casa hoje, então pode ficar aqui. Só tenta não fazer muito barulho, os meus pais estão dormindo." Assenti, ainda processando o que ele tinha dito. Apaixonado? Eu? Não, isso não fazia sentido. Lily era... era complicada, cheia de problemas que eu não queria lidar. Mas então, por que aquilo me afetava tanto? Joguei a cabeça para trás no sofá, encarando o teto enquanto tentava organizar os pensamentos. Talvez John estivesse certo, e eu simplesmente não queria admitir. Afinal, por que mais eu me importaria tanto com o fato de ela ter mentido? E por que, sempre que eu pensava em Aidan, sentia aquela pontada de ciúmes que não fazia sentido? John voltou com um travesseiro e uma coberta, jogando-os para mim. "Aqui. Faz silêncio e dorme, beleza? Você tá exausto, e amanhã as coisas vão parecer menos complicadas." Agradeci com um aceno de cabeça, puxando a coberta sobre mim enquanto ele apagava as luzes e subia para o quarto. Mas, mesmo com o cansaço me dominando, minha mente não parava. As palavras de John continuavam martelando na minha cabeça, se misturando com tudo o que tinha acontecido naquela noite. Apaixonado? Não, eu não estava apaixonado. Mas então, por que eu não conseguia parar de pensar nela? "Lily vai ser a sua ruína." Talvez ele tivesse razão. Talvez eu estivesse me perdendo nessa confusão toda, deixando que meus sentimentos por Lily me levassem a um caminho sem volta. Quando acordei, a luz da manhã já começava a invadir a sala. Me espreguicei e me sentei, esfregando os olhos. John estava na cozinha, preparando café. Eu podia ouvir o barulho da cafeteira e o cheiro do café fresco começava a se espalhar pela casa. "Bom dia," ele disse, sem olhar para mim. "Quer café?" "Por favor," respondi, levantando-me e caminhando até a cozinha. "Desculpa por ontem à noite. Eu estava... descontrolado." John deu de ombros. "Tudo bem. Você precisava desabafar. Mas, sério, Sam, você precisa resolver isso. Não pode deixar essa situação com Lily te consumir." Peguei a xícara de café que ele me ofereceu e dei um gole, sentindo a bebida quente acalmar um pouco meus nervos. "Eu sei, John. Mas não é fácil." "Eu sei que não é," ele disse, encostando-se na bancada. "Mas você é forte, cara. Vai conseguir passar por isso." Ficamos em silêncio por um tempo, bebendo nosso café. A presença de John, mesmo em silêncio, era reconfortante. Ele sempre soube como me acalmar, como me fazer ver as coisas com mais clareza.
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