LILY’S POV
Cheguei em casa ao lado de Samantha, ainda sentindo o peso da conversa que tivemos na lanchonete. Minhas pernas pareciam feitas de chumbo enquanto subíamos os degraus da varanda. Assim que entramos, meu pai, Doug, estava no corredor, com os braços cruzados e um semblante preocupado. Ele veio em nossa direção, os olhos indo de mim para Samantha, como se tentasse decifrar o que estava acontecendo.
— Como foi? O que a Lily tem? — perguntou, a voz carregada de preocupação.
Antes que eu pudesse responder, Samantha se adiantou, seu tom suave e tranquilizador.
— Foi só um m*l-estar, Doug. Ela não está se sentindo muito bem, mas agora só precisa descansar. Nada para se preocupar.
Doug franziu o cenho, claramente ainda preocupado, mas aceitou a explicação.
— Tudo bem, então. Lily, você precisa de alguma coisa?
Balancei a cabeça, tentando não demonstrar o turbilhão dentro de mim.
— Não, pai. Vou subir. Preciso de um pouco de descanso.
Ele assentiu, mas seus olhos permaneceram fixos em mim por mais alguns segundos antes de se voltar para Samantha, provavelmente buscando mais garantias. Não esperei para ouvir a continuação da conversa; apenas subi as escadas, sentindo uma tensão desconfortável em meus ombros.
Ao chegar no meu quarto, fechei a porta atrás de mim e me deixei cair na cama. A culpa era como uma pedra no estômago, pesada e impossível de ignorar. Samuel. Desde o momento em que menti, colocando-o como o responsável por tudo o que aconteceu, sabia que havia cruzado uma linha. Eu o transformei no vilão para proteger meu segredo, e isso não era justo. Ele não merecia isso.
Depois de alguns minutos de debate interno, decidi que precisava fazer alguma coisa. O mínimo que eu podia fazer era pedir desculpas. Respirei fundo, reunindo a coragem necessária, e fui até o quarto de Samuel.
Parando em frente à porta dele, hesitei. Meu coração batia forte, e a cada segundo de indecisão, parecia que a culpa aumentava. Finalmente, bati na porta, ouvindo o som abafado do movimento dentro do quarto. Após alguns segundos, a porta se abriu, revelando Samuel.
Ele me olhou, com a expressão mais fechada que já vi.
— O que é?
Minha garganta secou, e senti minha determinação vacilar sob aquele olhar. Mas sabia que precisava seguir em frente.
— Eu... eu vim pedir desculpas — comecei, minha voz saindo hesitante.
Mas antes que eu pudesse terminar, Samuel balançou a cabeça, o rosto se contorcendo em algo entre raiva e frustração. Sem dizer uma palavra, ele fechou a porta na minha cara.
O som da porta batendo ecoou pelo corredor, e fiquei ali parada, chocada com a rapidez e a frieza da reação dele. Por um momento, pensei em bater de novo, insistir, mas algo me impediu. Talvez fosse o olhar nos olhos dele — algo tão frio que me fez perceber que, no fundo, eu merecia aquela reação.
Mas então a raiva começou a subir. Quem ele pensava que era para me tratar assim? Sim, eu errei, mas ele precisava ouvir o que eu tinha a dizer.
Sem pensar duas vezes, girei a maçaneta e entrei no quarto.
— Samuel, você vai me escutar.
Ele virou-se para mim, claramente irritado.
— Saia daqui, Lily.
— Não até você me ouvir.
Ele riu amargamente, cruzando os braços.
— Eu não tenho nada para escutar. Vá chorar no colo do seu namoradinho, Aidan.
— Você está sendo um b****a — rebati, sentindo o calor subir pelo meu rosto.
— Sim, estou. Agora caia fora.
Eu respirei fundo, tentando manter a calma, mas minha voz tremeu de emoção quando continuei:
— Eu só quero pedir desculpas, ok? Eu sei que te acusei sabendo que eu era a errada. Eu usei o baseado com o Aidan e a Ashley. Mas eu fiz isso porque o meu pai não pode saber. Você não entende o que isso significa pra mim.
Ele ergueu as sobrancelhas, sarcástico.
— Tal pai, tal filha.
Eu franzi o cenho, confusa.
— O que isso significa?
Samuel deu um passo à frente, a expressão dele carregada de algo que parecia mais que raiva, mas também algo pessoal.
— Pergunte para o seu pai.
— Você não precisava agir assim. — Minha voz estava mais baixa agora, quase um apelo.
— Sim, precisava. — Ele estava firme, a voz cheia de frieza. — Você precisa entender que tudo tem limites, Lily. Toda escolha tem uma consequência, e você escolheu o Aidan.
Aquelas palavras cortaram como uma faca, mas eu respirei fundo, tentando manter minha posição.
— Sim, escolhi. Mas eu sinto muito. E quero o seu perdão.
Samuel riu de novo, um som seco e sem humor.
— Eu escutei suas desculpas. Mas perdoar já é outra coisa.
— O que eu posso fazer para você me perdoar? — perguntei, quase desesperada.
O que ele disse a seguir me pegou completamente desprevenida.
— Transa comigo.
Pisquei, surpresa. — Como é?
Ele deu de ombros, a expressão tão fria quanto antes.
— Foi isso que você ouviu. Você vive dizendo que eu só quero s**o, então é isso que eu quero.
O choque me fez dar um passo para trás, mas minha voz veio firme e alta.
— Você é um b****a nojento!
Samuel não recuou. Ele cruzou os braços, o rosto endurecido.
— E você é uma p*****a mimada.
Aquela palavra me acertou como um t**a.
— Vá se ferrar, Samuel!
O quarto explodiu em gritos. Começamos a discutir, cada palavra jogada como uma arma, cada resposta cheia de amargura e frustração. Eu não sabia mais quem estava mais errado — ele, com sua raiva irracional, ou eu, com a culpa pesando sobre mim.
Foi então que a porta do quarto se abriu de repente. Samantha entrou, com a expressão séria e um olhar que fez o silêncio cair instantaneamente.
— O que está acontecendo aqui?
Fiquei sem palavras por um momento, mas finalmente consegui falar:
— Eu vim pedir desculpas, mas ele não quer aceitar.
Samuel, ainda cheio de raiva, respondeu antes que Samantha pudesse reagir:
— Diga para ela contar o porquê das desculpas, mãe.
Samantha olhou para mim, surpresa, mas depois respirou fundo e falou calmamente.
— Eu já sei. Fui eu que pedi para a Lily vir falar com você.
Samuel riu sem humor, balançando a cabeça.
— Ótimo. Duas contra um. Isso é perfeito.
Samantha cruzou os braços, a postura dela firme.
— Lily, saia. Eu vou conversar com ele.
Eu hesitei por um momento, sentindo meu orgulho ferido e minha frustração ainda queimando. Mas o tom da voz de Samantha não deixava espaço para debate. Sem olhar para Samuel, saí do quarto, fechando a porta atrás de mim.