O vento cortava a madrugada como lâminas afiadas. Cada rajada parecia sussurrar segredos antigos, lembrando que o passado, quando retorna, nunca vem sozinho. Solange permanecia em seu pequeno apartamento em Los Angeles, encostada na parede fria, a mente fervilhando com lembranças e rancores que não haviam sido domados pelo tempo. A mulher que outrora possuía beleza e status agora se encontrava reduzida a sombras de si mesma: roupas rasgadas, cabelos desgrenhados e o olhar que carregava a fúria de quem ainda acreditava que podia controlar o destino alheio. Ela olhou para o espelho embaçado, observando o rosto marcado pela fome, pelo frio e pelas lágrimas secas. Mas, mesmo na miséria, havia uma chama. Uma chama de vingança. — Eu ainda vou mostrar a eles — sussurrou, com a voz rouca —. Aind

