A mansão Ferraz acordava devagar naquela manhã de céu cinzento e silêncio tenso. Os corredores frios sussurravam segredos que só os olhos sabiam guardar. Lara, de uniforme simples e caderno à mão, cruzava os ambientes como uma sombra discreta — mas, naquela casa, até as sombras incomodavam. Beatriz a observava da varanda do segundo andar, com uma xícara de chá entre os dedos e um veneno velho escorrendo pelo olhar. Não bastava humilhar Lara. Aquela menina não entendia o próprio lugar. Não abaixava a cabeça. Não se curvava ao sobrenome Ferraz. E isso, para Beatriz, era imperdoável. — Se acha tão esperta, tão boazinha… Vai aprender que a bondade tem preço — sussurrou para si mesma, antes de descer as escadas com passos ensaiados. No café da manhã, Lara foi surpreendida por um pedido inusi

