O Último Nome

1175 Words

Inácio não lembrava o gosto da água. Só o do álcool. Forte. Ardente. A única coisa que conseguia afogar a voz dela na cabeça dele. “Você escolheu a mentira dela em vez da verdade que morava em mim.” A frase de Lara era uma ferida aberta. Cada gole de uísque era uma tentativa de anestesiar. Mas não adiantava. Nem as mulheres que passavam pelo bar com vestidos curtos e olhares carentes. Nem a música que estourava nos alto-falantes, abafando pensamentos. Ele estava ali há horas. No mesmo banco. A mesma garrafa. O garçom se aproximou, hesitante. — Senhor... já passou da conta. — Traz mais uma. — O senhor tá pagando em quê? Inácio tirou o relógio de pulso, um presente de Grego, e empurrou sobre o balcão. — Isso cobre a noite toda. O homem pegou, com certo receio. Mas não disse mais nad

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