O tribunal estava cercado de repórteres, câmeras, microfones e curiosos. O nome Ferraz, que por décadas fora sinônimo de prestígio, agora era manchete nas seções policiais. A sala de audiência estava lotada. Grego sentou-se ao lado do advogado de defesa. Lara chegou alguns minutos depois, com o rosto firme, vestida de preto, os cabelos presos e a postura de quem não pedia mais permissão para existir. Ela ocupou o banco destinado às testemunhas, carregando documentos, anotações e a lembrança viva da mãe que sempre tentou avisar o mundo sobre Solange. Mas ninguém escutou Eva. E agora, Lara falaria por ela. Enquanto os juízes se posicionavam e a promotoria organizava provas e depoimentos, Inácio, do lado de fora, observava tudo de longe. Ele ainda não havia entrado. Não sabia se devia. — V

