O hospital tinha aquele cheiro típico de antisséptico que misturava limpeza com dor. As paredes brancas refletiam a frieza do lugar, e o som constante dos monitores cardíacos preenchia os corredores como um lembrete de que a vida, ali, pendia por fios. Grego caminhava lentamente, o peso da noite anterior colado em seus ombros. O sequestro de Lara, o tiro disparado por Inácio, Solange caída no chão ensanguentada — tudo parecia um pesadelo recente, mas era realidade. O passado, que ele tantas vezes tentara sepultar, tinha voltado a cobrar um preço alto. No quarto 307, atrás da porta de madeira clara, Solange respirava entrecortado, ligada a tubos e aparelhos. Grego parou diante da placa do número e fechou os olhos por um instante. Quantas vezes ele já havia pensado em nunca mais olhar para

