O silêncio da noite caía como um peso sobre o peito de Inácio. Desde que recebera a notícia do derrame de Solange, o mundo parecia girar em um ritmo mais lento, quase arrastado, como se o tempo estivesse se vingando dele. Não era apenas a imagem da mãe fragilizada, imóvel numa cama de hospital, que o assombrava; era o contraste brutal entre o ódio que carregara dela durante toda a vida e a súbita exigência da consciência: cuidar de quem sempre lhe feriu. Ele caminhava de um lado para o outro no pequeno quarto de hotel, as mãos nos cabelos, o olhar perdido. Do outro lado da cidade, Lara repousava com a gravidez avançando — sua presença na mente dele era uma âncora e uma tortura ao mesmo tempo. Esther, por sua vez, seguia firme em sua decisão: não competiria mais, mas o cobrava, de forma su

