Anna Winslow Após estacionar em frente ao condomínio, fiquei imóvel. Apenas alguns segundos, mas segundos que pareceram horas. As torres iluminadas se erguiam como gigantes de vidro e concreto, refletindo as luzes da rua, familiares demais para mim. Eu conhecia esse mundo. O brilho calculado, a imponência feita para afastar quem não pertence. E, ainda assim, era como se cada detalhe me lembrasse cruelmente do lugar que escolhi deixar para trás. Ali estava eu, diante daquele prédio. Com o carro de um deles. Um carro que nunca deveria ter sido meu. Meu coração batia rápido, e ainda assim forcei a calma. Respirar. Observar. Calcular. Eu não podia me dar o luxo de tremer agora. Levantei o olhar, varrendo o entorno com a precisão de quem aprendeu a sobreviver assim: como se cada câmera, ca

