Capítulo 1- A Chegada
Ana Fontana acordou cedo, era início de dezembro o que significava muito calor, tomou banho e trocou-se, penteou os cabelos castanhos claro, comeu o café da manhã que a mãe preparou, estava ansiosa pela viagem a dias, a mala já estava preparada a uma semana, apenas precisou colocar os tênis que havia tirado para usar durante a semana, vestia calça jeans, blusa de alças e sandália de tiras.
Ela e a mãe revisaram se faltava algo, seu pai chegou na porta do quarto para avisá-las do horário e seguiram para o terminal rodoviário, na despedida tentou pela última vez perguntar se não iriam, mesmo que fosse depois de algumas semanas, mas a resposta foi a mesma de sempre, Ana não entendia como seu pai podia deixar de visitar seus avós em um momento como esse, sua mãe parecia que sentia o mesmo, mas estava cansada de discutir com o marido que alegava que não poderia deixar o projeto em que estava trabalhando, seu pai nunca escondeu que a relação entre ele e o pai era difícil, Ana sabia que seu pai era teimoso e que colocava sempre o trabalho em primeiro lugar.
Abraçou ambos e foi para seu ônibus seriam quatro horas de viagem, colocou seus fones de ouvidos, tentou lembrar-se da última vez que esteve no casarão dos avós, fazia 10 anos, lembrava de brincar e correr pelo jardins, de pescar com o avô, dele a levando para passear pela propriedade por um lago, ela olhou as fotos que a mãe a enviará pelo celular, dela pequena com avô sorrindo, sentiu-se m*l por não ter visitado eles em tanto tempo, mas colocou a mão na cicatriz na parte de trás da cabeça e lembrou-se o porquê.
O acidente que sofreu a 5 anos com os tios, no qual a irmã de sua mãe havia falecido e a deixado em coma por dias, há anos não sentia nenhuma sequela, os desmaios e a vista embaçada tinham parado, mas seus pais estavam sempre preocupados.
Ana tentou dormir um pouco mas não conseguiu, leu alguns capítulos de um livro que uma amiga havia indicado, houve uma parada em uma lanchonete e depois ouviu música pelo restante do caminho, descendo do ônibus olhou para os lados quando viu uma senhora com cabelos brancos e vestido azul florido acenando.
- Ana Clara? – disse a senhora.
- Vovó- a senhora a abraçou.
Como você cresceu! Está tão linda! Quase não te reconheci, está uma moça já!
A avó perguntou sobre seus pais, disse como estava feliz em vê-la, elas seguiram para fora do terminal rodoviários onde um amigo de seu avô estava, sua avó não dirigia e com seu avô doente o amigo Sr. Elizeu se ofereceu para buscá-la, ele era alto, tinha os cabelos acinzentados e olhos azuis claros, talvez um pouco mais novo que seus avôs, Ana pensou, ele a abraçou.
No caminho para a chácara da família a avó e o Sr. Eliseu falaram de como Ana era quando criança, maior parte das coisas ela nem mesmo lembrava, mas concordava, foram duas horas até chegarem, Ana desceu do carro e olhou para o casarão azul claro, estava da mesma forma que via nas fotos antigas o jardim com flores amarelas percorriam toda a frente da casa, havia uma fonte em frente a entrada, estava velha e cheia de musgo, água dentro dela estava verde, Ana seguiu acompanhando a Avó, Senhor Eliseu havia se despedido pois tinha coisas que cuidar na cidade, subiu as escadas a porta era de madeira pintada de branco como todas as janelas do lado de fora.
Ao entrar havia uma sala com lareira e um corredor a direita, no fundo da sala havia uma grande escadaria, elas subiram para o primeiro andar, lá passaram por algumas portas até chegarem em um quarto, a cama era de metal branca, as cortinas eram rosa bebê, havia uma cômoda com puxadores coloridos e ursos de pelúcia em cima.
- Deixei tudo igual, não mexi em nada, apenas tirei o **. – disse a avó.
- Obrigada. – disse Ana sorrindo, o quarto realmente parecia de uma criança, mas achou fofo de sua avó manter todas suas coisas de criança.
- Quer desfazer sua mala? Depois podemos ver seu avô e preparei uma torta salgada para nosso lanche.
- Claro, nossa faz tempo que não como uma.
Avó desceu as escadas e Ana lembrava que no interior se almoçava mais cedo, então entendeu o lanche pois já passavam das 14:00. Ana começou a tirar seus sapatos da mala, abriu o guarda roupa branco que estava no canto, havia algumas roupas dobradas em pilhas, ela olhou e notou que eram peças infantis, a avó apenas havia tirado dos cabides e dobrado.
Ana desceu, só havia um problema, ela não se lembrava exatamente a localização do cômodo da casa, decidiu seguir o corredor passou por algumas portas, e seguiu até chegar na copa onde podia ver a cozinha atrás, sua avó tirava algo do forno.
- Viu a reforma, tirei a parede que separava a copa e a cozinha, me falaram que chama-se conceito aberto o que achou? Mais iluminado?
- Ficou ótimo. – disse Ana que na verdade lembrava de pouca coisa.
- Quer ver seu avô? – Ana acesso e elas voltaram pelo corredor e entraram em uma sala que parecia uma mistura de biblioteca e sala de estar, havia duas portas a primeira estava aberta dentro da sala estava uma cama de hospital, elas entraram, Ana não acreditou quando viu o avô, havia tubos e fios saindo dele ligados em equipamentos ao lado, ele estava bem mais magro do que a última vez que o viu, muito pálido.
- Essa é a Elena, ela é enfermeira que está ficando durante o dia.
- Elena essa é a minha neta Ana.
Disse Vó apresentando uma mulher com a pele n***a e os cabelos cacheados, ela vestia branco e estava sentada em uma poltrona no canto da sala.
- Oi, prazer, Elena, sua avó me falou muito sobre de você.
- Oi, muito prazer, como ele está?
Avó e a enfermeira trocaram olhares.
- Os médicos disseram que existe chance de ele reagir ao tratamento e acordar, o que pode ocorrer é ter algumas sequelas, como a perda dos movimentos.
A Enfermeira disse devagar para não chocar muito Ana, mas não adiantou, ela lembrava de seu avô sorrindo, brincando com ela, mesmo após acordar de seu acidente ele estava lá e agora era ele que tinha chances de não acordar ou ter sequelas graves.
Percebendo a expressão de tristeza de Ana, a avó convidou elas para o lanche, havia torta de frango que a avó assou de manhã e suco de laranja, depois a avó tirou um pudim da geladeira.
- Você mora na cidade Elena?- perguntou Ana enquanto comiam o pudim.
- Não, sou de uma cidade um pouco depois, vi o anúncio no hospital e telefonei para sua avó, não sabia que era um lugar afastado da cidade.
- Elena é de Cruz Azul, é onde seu avô ficou internado esse tempo todo, porque nesse fim de mundo nem mesmo um hospital decente temos!
Dizia sua avó revoltada com a situação, então começou a falar do péssimo atendimento do hospital local.
Após o lanche Ana subiu e foi tomar banho, havia um banheiro ao lado de seu quarto, mas o encanamento não estava funcionando, sua avó a levou até o quarto que ficavam seus pais, era uma suíte e o chuveiro funcionou, tomou um banho e foi descansar um pouco.
Deitou-se e logo adormeceu, sonho que estava no pomar do casarão, ele era lindo ela passava por árvores de limão, laranja, mexerica e manga, pés de morango cresciam em vasos e parreiras de uva faziam um arco na entrado para o pomar, quando notou que não estava sozinha, uma pequena mão segurava a sua, ela olhou e havia uma garotinha ao seu lado, ela tinha cabelos compridos pretos, tinha a pele bem clara e olhos escuros, ela sorriu para Ana.
-Que bom que voltou Ana. –disse a garotinha e Ana acordou com um barulho alto.
Sentou-se rápido era um barulho de algo batendo na parede, saiu do quarto parecia ter alguém no banheiro, olhou e viu um homem de costas tentou dizer oi e o homem assustou-se.
- Ai meu Deus.- disse o rapaz se virando, ele tinha cabelo escuro estava cortado baixo e tinha olhos castanhos claros, ele era alto, após recuperar-se do susto, ele a encarou e sorriu.
- Ana?
- Oi...- disse Ana tentando arrumar o cabelo que imaginou estar bagunçado já que estava dormindo.
- Oi...
- Igor, por favor não quebre nada- veio dizendo sua Avó com um homem baixo atrás.
- Não queria que te acordassem, quando Beto falou que já tinham achado o problema e que já começavam a subir. - continuou a avó, o senhor cumprimentou Ana.
- Você cresceu Ana lembro de você desse tamanho.- disse o homem apontando para a lateral do corpo próximo altura da cintura.- Lembra do Igor vocês brincavam juntos quando pequeno?
- Ana olhou para o garoto, mas não se lembrava.
- Lembro de pouca coisa.
- Faz muito tempo. –disse o Igor.
Beto e sua avó começaram falar dos problemas do encanamento, Ana acenou para Igor um tchau, começou a descer as escadas, saiu pela porta da cozinha, pensou que talvez o sonho estranho a tivesse feito a lembrar do pomar, mas não parecia-se nada com o sonho, estava com o mato alto, não havia frutas ao não ser algumas mangas caídas no chão, então voltou para casa.