Ana acordou tarde, era segunda-feira, suas aulas haviam acabado na semana anterior, era dezembro e estava muito quente, escovou os dentes e lavou o rosto, desceu as escadas e viu uma mulher, parecia estar próxima de seus quarentas anos, era baixa e tinha o cabelo loiro escuro preso em um coque ela tirava ** da estante na sala.
-Oi Ana! A quanto tempo?- disse a mulher a cumprimentando.
-Oi, tudo bem?- Ana não lembrava quem era, mas parecia conhecer ela.
-Acordou Ana.- falou a avó entrando na sala de estar. – Lembra da Marta? Esposa do Beto.
Ana acenou, logo Marta e Avó começaram a falar da horta, Ana foi até a copa, em cima da mesa coberto com um pano de prato estava seu café da manhã pronto, havia muita coisa, suco de laranja, leite, café, pães, frios, torrada e geleia.
Ana comeu e foi ver o avô, o enfermeiro do plantão do dia era um rapaz baixo chamado Bruno, ele dava banho de leito em seu avô, e movia suas pernas e braços, Ana pode ver seu corpo sem a coberta, seu avô estava muito magro, parecia sobrar pele em seus braços e pernas.
Ana ouviu seu smartphone tocar, havia deixado na cozinha, era sua mãe, contou sobre o estado do avô e seus passeios na feira.
-Já está entediada?- perguntou a mãe.
-Não, é bem calmo, sabe sem barulho de carros e pessoas na rua, acho que eu gosto - disse Ana pensando nos dias anteriores.
Depois de falar com a mãe foi em busca de sua avó para saber o que podia fazer, ela estava na frente do casarão, falava com Beto e Igor, quando a viram os dois a cumprimentaram.
-Ana estava conversando com Beto para dar um jeito na estrada, depois no jardim e naquele pomar cheio de mato.- disse Avó sinalizando.
-Para falar a verdade era bom pintar o muro e portão também, faz anos que Sr. Lorenzo não manda pintar- disse Beto.
-Verdade! Vamos dar uma olhada no pomar, então me faça uma lista do que vai precisar Beto, ontem a Aparecida e a Rosa vieram e me perguntaram por que a chácara parecia abandonada? Acredita nisso... só sabem falar da vida dos outros aquelas duas, agora querem dar palpite na casa alheia.
Os quatro deram a volta na casa e seguiram um caminho de pedra onde havia uma pequena cerca de madeira que estava engolida pelo mato alto, Beto empurrou o portão e entraram, havia apenas mato alto e árvores imensas.
-Nossa era tão bonita isso aqui.- disse Beto olhando para o lado.
-Verdade- disse Igor- Lembro-me das parreiras de Uva.
-Dá para dar um jeito?- disse a avó de Ana.
-Da sim.
Eles foram para copa onde Beto anotava os materiais, Marta servia suco de laranja, Avó reclamava das visitas do dia anterior para Marta e falava de Ana, Igor parecia interessado em seu celular.
-Vai ficar o mês todo?- perguntou Marta.
-Acho que vou, no natal meus pais vão vir.
-Que bom não é mesmo Dona Lurdes, assim a senhora não fica sozinha na casa.- disse Marta.
-Verdade nem meus filhos me visitam, pelo menos eu tenho Ana– disse Avó e Ana sentiu-se m*l por nenhum de seus tios visitarem seus avós.
-Já conhece a cidade Ana? Bem que não tem muita coisa para alguém jovem, se quiser dar uma volta é só pedir que o Igor te leva, ele sempre vai para Cruz Azul, é uma cidade bonita.
- Ana tem um namorado muito bonito, não sei se ele vai gostar dela por aí- disse Avó, Ana sabia que sua avó é de uma geração diferente.
- Ele não se importa com minhas amizades- disse Ana.
- Igor também tem uma namorada muito bonita, inteligente, ela faz administração não é mesmo Igor?- disse Marta orgulhosa da namorada do sobrinho.
- É, ela é muito inteligente desde da escola, ela já era a melhor da turma.- disse Igor sorrindo.
Por insistência de Marta, Igor e Ana trocaram os números, Beto terminou de fazer a lista, e foram almoçar, ele e a avó combinaram de se encontrar às 13:00 para irem às compras.
Ana não almoçou, tinha acabado de tomar café da manhã, ainda não estava acostumada com os horários do interior, ela foi com avó, Beto e Igor fazer as compras para reforma da chácara, na cidade não teria os materiais, então foram para uma que ficava a 50 km, em menos de 40 minutos estavam lá.
Eles entraram em uma loja de materiais para construção, na entrada a avó se encontrou com uma conhecida da igreja, para fugir da conversa Ana se ofereceu para ajudar Beto e Igor.
Beto procurava pregos e pediu para Igor e Ana se não queriam escolher as tintas para o muro de entrada da chácara.
Os dois concordaram e foram no corredor das tintas.
-Você terminou o ensino médio esse ano?- perguntou Igor.
-Sim, na verdade há uma semana exatamente, mas minha formatura é só em janeiro.
- Você vai entrar na universidade?
-Bem talvez sim, você está na universidade?- perguntou Ana.
- Faço engenharia, indo para o segundo ano sem querer te desanimar, fazer faculdade não é muito igual aos filmes...sabe, você realmente tem que estudar.
Ana riu com os comentários.
- Quer dizer que não apenas festas, álcool e drogas?
- Bem não todo dia se você planeja se formar- disse Igor- bem se fizer engenharia isso cai para uma vez ao mês.
- Acho que não quero algo na área de exatas.
- Sua vó falou que vai fazer direito?
- Não sei ainda -Ana disse um pouco envergonhada por ainda não ter decidido o curso.- Fiz o vestibular para direito em uma universidade pública.
- Faça algo que você goste, você vai ter que estudar isso nos próximos 4 ou 5 anos de sua vida, mas é bom ver os campos de emprego da área antes.- disse Igor.
Eles olharam algumas tintas e um funcionaram trouxe uma carrinho de metal para eles colocaram os galões, logo Beto os encontrou já estava com seu carrinho cheio, avós estava sentada em sofás na entrada da loja conversando com amiga, ela pagou os materiais e eles voltaram para a chácara.
Quando voltaram Igor se aproximou.
- Ana, se você quiser sair um pouco, você pode me ligar.- disse Igor.
- Ok, mas vim fazer companhia para minha avó, acho que vou passar um tempo com ela.
- Entendo, só que acho que pode te fazer bem sair um pouco do casarão às vezes.- Ana notou a forma como ele olhava para casa, sua expressão mudou para quase uma careta.
Igor foi ajudar o tio a tirar as compras da caminhonete e guardar na garagem.