Capítulo 87 GEIZA NARRANDO O camarote tava fervendo. Luz piscando, o grave batendo no peito, gente rindo, bebendo, se esfregando, comemorando a noite como se nada pudesse dar errado nesse morro. E talvez aqui, nesse pedaço alto da quadra, nada realmente pudesse. Eu fiquei encostada no parapeito por alguns minutos, observando tudo lá embaixo. O baile tava bonito, cheio, organizado. Vapor pra todo lado, contenção firme, ninguém passando do limite. Pardal sempre foi bom nisso, em organizar bailes, mesmo quando tudo na vida dele parecia bagunçado. Já vi ele fazer vários bailes monstros e certeza que esse foi ele que organizou. E era justamente nele que meus pensamentos insistiam em voltar. “Tenho dona.” A frase ainda ecoava na minha cabeça, mesmo depois dele ter virado as costas e sumi

