Capítulo 119 NALANDA NARRANDO Eu nunca fui boa em definir felicidade sem culpa. Talvez porque, desde muito cedo, aprendi que tudo que é bom demais cobra um preço. Que alegria vem sempre acompanhada de medo. Que amor, quando nasce fora do lugar que o mundo considera “certo”, já nasce condenado. E ainda assim eu estava vivendo um conto de fadas. Não daqueles perfeitos, com finais garantidos e bênçãos públicas. Era um conto de fadas torto, escondido, cheio de mensagens apagadas rápido demais, sorrisos silenciosos e encontros calculados. Mas era meu. E era real. Pardal tinha se tornado parte da minha rotina sem pedir licença. Não de forma invasiva, não como alguém que impõe presença. Ele simplesmente estava aqui. Em um bom dia que chegava cedo. Em “já comeu?” no meio da tarde. Em áudios

