Capítulo 78 PARDAL NARRANDO Eu não entendi de primeira. Na real, meu cérebro demorou alguns segundos pra processar a cena inteira: a Nalanda parada na minha sala, o cabelo grudado no rosto, a roupa colada no corpo por causa da chuva, os olhos grandes me olhando com um misto de nervosismo e decisão. Nalanda. Na minha casa. O temporal lá fora batia forte, a água escorrendo pelo telhado, o som abafado preenchendo o silêncio pesado que se instalou entre a gente assim que a porta se fechou. — O que você tá fazendo aqui? — perguntei, não por grosseria, mas por pura confusão. Ela abriu a boca pra responder, mas antes disso um tremor percorreu o corpo dela. Não era charme. Não era joguinho. Era frio mesmo. Cansaço. Nervoso. Foi aí que eu reparei direito. Ela tava encharcada. A roupa esc

