Capítulo 84 ANALU NARRANDO Eu olhava para o relógio pela terceira vez em menos de dois minutos. Não porque estivesse entediada. Mas porque meu corpo inteiro implorava para sair daqui. O jantar tinha passado do ponto. As conversas já rodavam em círculos, as taças estavam mais vazias, os pratos quase intocados. Meus pais pareciam confortáveis, envolvidos nessa bolha elegante de palavras educadas e sorrisos ensaiados. Os pais do Gabriel também. Tudo perfeitamente normal. Normal demais. E eu… Eu me sentia como se estivesse sentada em cima de um barril de pólvora. Gabriel percebeu meu nervosismo. — Tá querendo ir embora? — perguntou baixo, inclinado na minha direção. Sorri. Ou tentei. — Um pouco cansada só. Ele assentiu, compreensivo demais para alguém que merecia mais do que minha

