CORINGA Eu tinha que parar de pensar nela. Era só mais uma mina, mais um corpo, mais uma diversão. Mas a cabeça não parava de martelar. O rosto dela. O jeito dela. Aquela menina maldita. Helena. Passei a mão na testa, tentando afastar a dor. Fui até a janela, olhei pra rua lá embaixo, as luzes da favela piscando, a vida acontecendo. Aqui, no meu barraco, era diferente. Era um pedaço de inferno. E eu não era mais moleque. Não era mais vítima. Mas parecia que eu ainda estava preso àquele moleque. Àquelas lembranças que não largavam do meu pescoço. Sentei na cadeira, olhei pra arma em cima da mesa. O peso daquilo parecia me sufocar. Aquela maldita arma que resolvia tudo. Eu resolvia tudo assim. Me levantei, andei até a parede, e bati o punho contra ela. O impacto fez minha mão

