Capítulo 4 – Domínio e Rejeição

2450 Words
Os dias na fazenda dos Oliveiras seguiam uma rotina rígida, mas desde a chegada de Alana, uma tensão invisível parecia pairar no ar. Dante, acostumado a ter controle absoluto sobre tudo e todos ao seu redor, sentia-se intrigado pela jovem que ousava desafiá-lo com sua mera presença. Alana, por sua vez, mantinha-se reservada, cumprindo suas tarefas com diligência, mas evitando qualquer contato desnecessário com Dante. Ela percebia os olhares dele, a maneira como sua presença parecia eletrizar o ambiente, mas recusava-se a ceder ao medo ou à curiosidade que ele despertava nela. Uma tarde, enquanto Alana estendia lençóis no varal atrás da casa principal, sentiu uma sombra cobrir o sol que aquecia suas costas. Virou-se lentamente e encontrou Dante parado a poucos passos de distância, observando-a com uma intensidade que fez seu coração acelerar. — Preciso falar com você. — A voz dele era firme, deixando claro que não estava acostumado a ser contrariado. Alana hesitou por um momento, mas assentiu, seguindo-o em silêncio até um pequeno escritório nos fundos da casa. O ambiente era austero, com móveis de madeira escura e poucas janelas, o que tornava o ar pesado e opressivo. Dante fechou a porta atrás dela e encostou-se na mesa, cruzando os braços sobre o peito. — Você tem evitado olhar para mim. — A afirmação veio sem rodeios. Alana ergueu os olhos, encontrando os dele com dificuldade. — Apenas estou concentrada no meu trabalho, senhor. Ele soltou uma risada baixa, sem humor. — "Senhor"? Agora sou "senhor"? Ontem mesmo eu era apenas Dante para você. Ela sentiu o rosto corar, lembrando-se do momento em que, impulsivamente, chamara-o pelo nome. — Peço desculpas se fui desrespeitosa. Dante descruzou os braços e deu um passo à frente, diminuindo a distância entre eles. — Não é uma questão de respeito. É uma questão de... hierarquia. — Seus olhos percorreram o rosto dela, buscando uma reação. — E eu estou no topo dela. Você entende isso? Alana sentiu a raiva borbulhar sob a superfície de sua calma forçada. — Entendo que sou uma empregada aqui. E que devo cumprir minhas funções. Ele inclinou a cabeça, como se estudasse uma criatura exótica. — Você é diferente das outras. Elas sabem seu lugar. Você... parece querer desafiar o seu. Ela apertou os punhos ao lado do corpo, lutando para manter a compostura. — Não estou desafiando ninguém. Apenas quero fazer meu trabalho em paz. Dante deu mais um passo, agora tão próximo que Alana podia sentir o calor emanando de seu corpo. — Paz? — Ele sussurrou, a voz carregada de algo que ela não conseguiu identificar. — Aqui não é lugar de paz, Alana. Ela ergueu o queixo, encarando-o diretamente. — Talvez não para você. Por um momento, o silêncio se estendeu entre eles, carregado de eletricidade. Então, inesperadamente, Dante recuou, um sorriso enigmático brincando nos lábios. — Você me intriga. — Ele disse, quase para si mesmo. — Mas cuidado, Alana. Intriga pode ser perigosa. Sem esperar resposta, ele abriu a porta e saiu, deixando-a sozinha no escritório, com o coração disparado e a mente em turbilhão. Nos dias que se seguiram, Dante parecia estar em todos os lugares onde Alana estivesse. Se ela estava na cozinha, ele entrava para buscar algo. Se estava no jardim, ele passava por ali, sempre com um comentário ou olhar que a deixava inquieta. Certa noite, enquanto Alana fechava as janelas da sala de estar, sentiu novamente aquela presença marcante. Virou-se e encontrou Dante encostado no batente da porta, observando-a com um olhar que misturava curiosidade e algo mais profundo. — Trabalhando até tarde? — Ele perguntou, a voz suave, mas carregada de subentendidos. Alana assentiu, mantendo a distância. — Apenas terminando minhas tarefas. Dante avançou lentamente, cada passo ecoando no piso de madeira. — Você sempre tão diligente. — Ele parou a poucos centímetros dela. — Mas me diga, Alana, por que continua me evitando? Ela respirou fundo, buscando coragem. — Não estou evitando. Apenas mantenho o profissionalismo. Ele sorriu, inclinando-se ligeiramente, fazendo com que seus rostos ficassem perigosamente próximos. — Profissionalismo? Aqui? — Seus olhos fixaram-se nos lábios dela por um instante. — Acho que você não entende como as coisas funcionam por aqui. Alana sentiu um misto de medo e indignação. — Talvez seja você quem não entende, senhor. Eu não sou como as outras. Dante ergueu uma sobrancelha, surpreso pela ousadia. — É mesmo? — Ele murmurou, a mão erguendo-se lentamente, como se fosse tocá-la. Alana deu um passo atrás, os olhos firmes, mesmo que seu coração batesse como se quisesse escapar pela garganta. O gesto, embora sutil, foi um tapa silencioso no rosto de Dante. Ele não estava acostumado com recusas, muito menos com rejeições que vinham carregadas de dignidade. Ela não precisou dizer uma palavra. O recuo falava por si: **ela não era dele**. — Você tem mais coragem do que deveria — ele murmurou, com a mandíbula trincada. Ela não respondeu. Manteve-se ereta, sustentando o olhar dele, mesmo com as pernas tremendo. Já tinha perdido tudo: a mãe, a liberdade, a esperança. Não perderia também a si mesma. Dante respirou fundo, passou as mãos pelos cabelos como se precisasse reorganizar os pensamentos. Deu dois passos para trás, olhando para ela como se a enxergasse pela primeira vez. Não como a órfã vendida, mas como uma mulher. — Você acha que pode sobreviver aqui sem entender as regras? — ele perguntou, e o tom já não era mais arrogante, mas frio. — A fazenda é um jogo. E, se não joga, vira peça. E peças quebram fácil, Alana. Ela engoliu em seco. — Eu sobrevivo do meu jeito — respondeu com firmeza, mesmo com a voz embargada. — Acha mesmo que pode me desafiar assim e sair ilesa? — Não estou desafiando você, Dante. Estou apenas dizendo que… não sou um corpo disponível. Nem sou o capricho de ninguém. Houve silêncio. Silêncio pesado. Tenso. Carregado de algo que nem ela nem ele conseguiam nomear. Desejo, talvez. Raiva. Fascínio. Ou tudo isso junto, remexido numa mistura perigosa. Por fim, ele virou-se sem dizer mais nada, caminhou até a porta e a abriu com brutalidade. Antes de sair, lançou-lhe um último olhar por cima do ombro. — Você não é como as outras. Mas isso não te faz intocável. E saiu. Naquela noite, Alana demorou a dormir. Deitada sobre o colchão fino no pequeno quarto dos fundos, sentia ainda o calor do olhar dele queimando sob sua pele. Não sabia se o que sentia era medo… ou alguma coisa ainda mais perigosa: atração. A confusão dentro dela era como um incêndio silencioso. Sentia ódio dele por tentar dominá-la. Sentia nojo por tudo que ele representava. Mas havia algo na voz dele… no jeito como a encarava… que mexia com partes dela que ela mesma não queria explorar. “Você não é intocável.” As palavras ecoavam como um aviso — ou uma promessa. Ela se virou na cama, fechou os olhos com força, e sussurrou para si mesma: — Eu vou resistir. Não importa o quanto ele tente me quebrar. Eu vou resistir… Dante, no entanto, não conseguia mais fingir indiferença. Na varanda de seu quarto, um copo de uísque na mão, encarava o céu estrelado como se procurasse ali alguma resposta. Sentia-se dividido entre o homem frio que seu pai moldara e o estranho fogo que Alana despertava dentro dele. Ela o rejeitara. Ninguém fazia isso. E isso… o enlouquecia. Mas havia mais. Ela não chorava. Não implorava. Não tentava agradar. Ela apenas… suportava. Com os olhos calados e a boca cerrada. E isso era muito mais provocante do que qualquer lamento. Era como se ela fosse feita de aço… e Dante, pela primeira vez, queria dobrar esse aço. Não para machucá-la, mas para vê-la se render a ele. Voluntariamente. Só que havia algo dentro dele — uma parte escondida e ferida — que dizia que, se Alana se entregasse, ela não seria só mais uma. Ela seria tudo. E isso o assustava mais do que gostaria de admitir. Na manhã seguinte, a rotina se repetiu. Alana acordou cedo, lavou o rosto com a água fria do balde, trançou os cabelos e vestiu o vestido gasto que Rosália havia deixado sobre a cama. Ao sair para alimentar as galinhas, encontrou Marta parada na porta, com os braços cruzados e o sorriso venenoso. — Acordou a protegida do patrãozinho? Alana a ignorou e tentou passar, mas Marta segurou seu braço com força. — Ouça bem, garota. Você pode enganar Seu Augusto com essa carinha de santa, mas eu vejo bem quem você é. E não pense que vai tirar nada de mim. Nada. Alana se desvencilhou, o olhar firme. — Não estou aqui pra tirar nada de ninguém. Só quero cumprir meu trabalho. — O Dante nunca olhou pra ninguém como olhou pra você ontem. Eu vi. E você viu também. — E o que você quer que eu faça? Que me esconda? Que peça desculpas por respirar? — Quero que entenda seu lugar. E que fique longe dele. Porque se tentar subir, eu mesma vou te empurrar do alto. Marta saiu pisando duro. Alana ficou parada por um momento, o braço ainda latejando. “Mais uma batalha”, pensou. E seguiu em frente. Na sede da fazenda, Dante observava tudo de longe. E quanto mais Alana resistia, mais ele queria descobrir o que existia por trás daquela casca. Ela era o desafio que ele nunca soube que precisava. Mas ele ainda não sabia se queria conquistá-la… … ou destruí-la. Antes que pudesse, Alana deu um passo atrás, erguendo uma barreira invisível entre eles. Alana deu um passo atrás, os olhos firmes, mesmo que seu coração batesse como se quisesse escapar pela garganta. O gesto, embora sutil, foi um tapa silencioso no rosto de Dante. Ele não estava acostumado com recusas, muito menos com rejeições que vinham carregadas de dignidade. Ela não precisou dizer uma palavra. O recuo falava por si: ela não era dele. — Você tem mais coragem do que deveria — ele murmurou, com a mandíbula trincada. Ela não respondeu. Manteve-se ereta, sustentando o olhar dele, mesmo com as pernas tremendo. Já tinha perdido tudo: a mãe, a liberdade, a esperança. Não perderia também a si mesma. Dante respirou fundo, passou as mãos pelos cabelos como se precisasse reorganizar os pensamentos. Deu dois passos para trás, olhando para ela como se a enxergasse pela primeira vez. Não como a órfã vendida, mas como uma mulher. — Você acha que pode sobreviver aqui sem entender as regras? — ele perguntou, e o tom já não era mais arrogante, mas frio. — A fazenda é um jogo. E, se não joga, vira peça. E peças quebram fácil, Alana. Ela engoliu em seco. — Eu sobrevivo do meu jeito — respondeu com firmeza, mesmo com a voz embargada. — Acha mesmo que pode me desafiar assim e sair ilesa? — Não estou desafiando você, Dante. Estou apenas dizendo que… não sou um corpo disponível. Nem sou o capricho de ninguém. Houve silêncio. Silêncio pesado. Tenso. Carregado de algo que nem ela nem ele conseguiam nomear. Desejo, talvez. Raiva. Fascínio. Ou tudo isso junto, remexido numa mistura perigosa. Por fim, ele virou-se sem dizer mais nada, caminhou até a porta e a abriu com brutalidade. Antes de sair, lançou-lhe um último olhar por cima do ombro. — Você não é como as outras. Mas isso não te faz intocável. E saiu. Naquela noite, Alana demorou a dormir. Deitada sobre o colchão fino no pequeno quarto dos fundos, sentia ainda o calor do olhar dele queimando sob sua pele. Não sabia se o que sentia era medo… ou alguma coisa ainda mais perigosa: atração. A confusão dentro dela era como um incêndio silencioso. Sentia ódio dele por tentar dominá-la. Sentia nojo por tudo que ele representava. Mas havia algo na voz dele… no jeito como a encarava… que mexia com partes dela que ela mesma não queria explorar. “Você não é intocável.” As palavras ecoavam como um aviso — ou uma promessa. Ela se virou na cama, fechou os olhos com força, e sussurrou para si mesma: — Eu vou resistir. Não importa o quanto ele tente me quebrar. Eu vou resistir… Dante, no entanto, não conseguia mais fingir indiferença. Na varanda de seu quarto, um copo de uísque na mão, encarava o céu estrelado como se procurasse ali alguma resposta. Sentia-se dividido entre o homem frio que seu pai moldara e o estranho fogo que Alana despertava dentro dele. Ela o rejeitara. Ninguém fazia isso. E isso… o enlouquecia. Mas havia mais. Ela não chorava. Não implorava. Não tentava agradar. Ela apenas… suportava. Com os olhos calados e a boca cerrada. E isso era muito mais provocante do que qualquer lamento. Era como se ela fosse feita de aço… e Dante, pela primeira vez, queria dobrar esse aço. Não para machucá-la, mas para vê-la se render a ele. Voluntariamente. Só que havia algo dentro dele — uma parte escondida e ferida — que dizia que, se Alana se entregasse, ela não seria só mais uma. Ela seria tudo. E isso o assustava mais do que gostaria de admitir. Na manhã seguinte, a rotina se repetiu. Alana acordou cedo, lavou o rosto com a água fria do balde, trançou os cabelos e vestiu o vestido gasto que Rosália havia deixado sobre a cama. Ao sair para alimentar as galinhas, encontrou Marta parada na porta, com os braços cruzados e o sorriso venenoso. — Acordou a protegida do patrãozinho? Alana a ignorou e tentou passar, mas Marta segurou seu braço com força. — Ouça bem, garota. Você pode enganar Seu Augusto com essa carinha de santa, mas eu vejo bem quem você é. E não pense que vai tirar nada de mim. Nada. Alana se desvencilhou, o olhar firme. — Não estou aqui pra tirar nada de ninguém. Só quero cumprir meu trabalho. — O Dante nunca olhou pra ninguém como olhou pra você ontem. Eu vi. E você viu também. — E o que você quer que eu faça? Que me esconda? Que peça desculpas por respirar? — Quero que entenda seu lugar. E que fique longe dele. Porque se tentar subir, eu mesma vou te empurrar do alto. Marta saiu pisando duro. Alana ficou parada por um momento, o braço ainda latejando. “Mais uma batalha”, pensou. E seguiu em frente. Na sede da fazenda, Dante observava tudo de longe. E quanto mais Alana resistia, mais ele queria descobrir o que existia por trás daquela casca. Ela era o desafio que ele nunca soube que precisava. Mas ele ainda não sabia se queria conquistá-la… … ou destruí-la.
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