Marta não era burra. Nem impulsiva. Sabia que o momento certo era mais letal que qualquer grito de revolta. Ela observava. Escutava. Juntava peças. Nos últimos dias, os sumiços de Dante haviam se tornado frequentes demais. Ele inventava desculpas, evitava a casa, não respondia aos chamados do pai. E Alana... Alana andava com os olhos baixos, mas o rosto corado, como se escondesse algo que lhe aquecia por dentro. E Marta odiava aquela paz estampada no rosto da menina. Numa tarde abafada, ela seguiu Alana. Ficou a metros de distância, escondida entre os troncos de eucalipto, até ver a jovem entrar na cabana. E não demorou muito para Dante aparecer também. Ela não precisava ver mais nada. O beijo. A troca de olhares. A forma como ele a segurava pela cintura. Aquilo foi a confirmação. E

