Os passos dele ecoavam no corredor como um presságio. Todas as noites. Sempre no mesmo horário. Alana já não dormia. De olhos abertos no escuro, esperava pelo som da maçaneta girando, o cheiro do álcool e a ameaça que vinha com ele. Mas desde que descobrira a gravidez, algo em Augusto havia piorado. Como se a ideia de ser pai misturasse veneno com desejo. Uma noite, ele entrava com um sorriso frouxo, tocando sua barriga e dizendo: — Nosso herdeiro vai ser forte, como eu. Como nós... Alana ficava imóvel, sufocando o enjoo. Sabia que, nesses momentos, qualquer palavra errada era o estopim. Na noite seguinte, ele entrava cuspindo ódio, olhos injetados, gritando: — Esse filho é dele, não é? É DO DANTE! DIZ! — e antes que ela pudesse responder, os tapas vinham, os gritos, os xingamentos.

