A casa dormia. Era madrugada, e o calor abafado da noite fazia o ar parecer mais denso, mais carregado. Alana, inquieta com o peso das emoções e a gravidez, levantou-se em silêncio. Desceu os degraus da escada lentamente, os pés descalços tocando o piso frio. A cozinha era seu refúgio. Era o único lugar que ainda conservava um pouco de paz… ou ao menos silêncio. Ela abriu o armário, pegou um copo e encheu com água. Levou à boca devagar. Quando virou-se para guardar o copo… — Não consegue dormir? — a voz rouca e baixa veio da penumbra. Ela se sobressaltou. Dante estava encostado no batente da porta, descalço, de calça de moletom e camiseta que estava em seu último encontro na cabana. Seus olhos ardiam em sombras. O cabelo despenteado, a barba por fazer… ele estava mais homem do que nunc

