O herdeiro do morro da Rocinha, [16/06/2023 00:02]
Capítulo 33
Ph narrando
As suposições de Amanda me deixa um pouco confuso, Amanda viajava um pouco nas coisas que ela falava mas nem tudo.
— Eu amo você papai – ela fala
— Eu também meu amor – eu respondo
— Vou distribuir passagens – ela fala
— Isso, faz isso. – eu falo
Ela tinha comprado 360 passagens no alor de 370 mil, em diversos cartões cadastrados de quase todos nós do morro, porque era um banco de dados só, mas a gente tinha cancelado todas elas e agora ela só tinha os papeis para dizer que comprou algo.
Eu vou atrás da Silvia e a encontro entrando na casa.
— Silvia – eu chamo ela
— Oi – ela responde
— Posso entrar? Quero conversar com você.
— É, pode – ela fala – a casa não é minha, mas acredito que não tera problemas.
Ela me olha com um olhar um tanto desconfiada, ela abre a porta e eu entro atrás dela, ela se senta no sofá e eu fico de pé.
— Se é porque eu estava conversando com a sua filha, desculpa – ela fala – foi ela que me parou, achei que seria falta de educação sair andando, eu prometo que eu não me aproximo dela, sei que você deve me achar um m*l exemplo para está perto dela, eu prometo eu não me aproximo mais.
— Não é isso – eu falo – Amanda gosta muito de conversar com as pessoas, passa o dia conversando com todo mundo dentro desse morro.
— Então, o que é? Eu fiz algo de errado?
— Cadê seus pais? – eu pergunto e ela me encara
— Os meus pais? – ela me olha – porque os meus pais são importantes?
— Porque sim – eu respondo – eu fiz uma pergunta, cadê os seus pais?
— Eu eu – ela me encara – não sei.
— Como assim, você não é filha de chocadeira, quem são seus pais?
— Eu fui abandonada com dias de vida em um orfanato, na verdade no 2 ou 3 dia de vida – ela fala – eu cresci lá no interior do Rio de Janeiro, divisa com São Paulo, próximo da serra geral, sai de lá quando eu tinha 15 anos e o orfanato foi transferido e passou a ser apenas para crianças.
— Então, você não sabe quem são seus pais? – eu pergunto para ela.
— Não – ela fala – e também nunca procurei, se me abandonaram tão pequena em um orfanato, porque eu iria atrás deles? Não é mesmo? Eles não me quiseram, porque eu vou querer saber quem são eles?
Eu sinto mágoa grande em suas palavras e a encaro.
— Você foi abandona com dias de vidas? – eu pergunto
— Dias – ela fala – isso foi o que me disseram.
— Quem? – eu pergunto
— Tea – ela fala – quem me criou, mas porque você quer saber disso?
— Por curiosidade apenas – eu falo
— Pelas coisas que sua filha disse? – ela pergunta – olha, eu não sei quem é essa Jéssica e nem porque sua filha me acha parecida com ela, eu também não quero saber, eu não quero saber nada de quem me gerou, de quem me abandonou naquele lugar. É uma opção minha , uma escolha, eu só quero que tudo isso acabe e eu possa ir embora.
— E você vai para onde? – eu pergunto
— Eu não tenho ninguém – ela fala – assim, como eu me virei sozinha quando fui expulsa do orfanato, eu consigo me virar sozinha agora também. Eu não preciso de ninguém na minha vida, eu cresci sozinha e vou morrer sozinha, e muito menos preciso saber quem foi os filhos da p**a que me colocaram no mundo, me abandonaram e me fizeram sofrer, então por favor, seja lá o porque veio atrás de mim e o porque quer saber sobre o meu passado, não vá atrás dele, porque eu renego qualquer pista e qualquer pessoa que faça parte dele.
— Tudo bem – eu respondo – eu entendo a sua posição , mas você fala isso porque você nunca teve uma família.
— E eu nunca vou ter – ela responde.
Eu a encaro ela e ela lembra alguém, mas não diria que era exatamente a Jéssica, talvez Amanda tivesse com seus sonhos e pensamentos atrapalhados e falou da boca para fora algo que ela imaginou,a sua cabeça voava, aquela garota que na verdade é uma mulher, sentada de braços cruzados, era muito frágil, não só seu físico como seu emocional e sentimentos.
— Era isso? – ela pergunta
— Era – eu respondo – não tenho mais nada para falar.
— A porta fica ali – ela responde e eu dou um sorriso de canto vendo que ela ainda era bem desaforada.
O herdeiro do morro da Rocinha, [16/06/2023 00:16]
Capítulo 34
Silvia narrando
Eu encaro o nada mas ele não tinha saído ainda de dentro da casa, então sinto sua voz.
— Obrigado por ter tratado Amanda bem – ele fala e eu viro para ele.
— Eu jamais trataria ninguém m*l, sua filha é um doce – eu respondo
— Se um dia você quiser ajuda para procurar sua família, pode contar comigo.
— Eu já disse que eu não quero achar ninguém – eu respondo
— Você diz isso agora, na flor da sua idade, mas eu duvido que você goste de viver dessa forma.
— E por que você se importa tanto com isso? – eu pergunto para ele – eu não sou ninguém para você se importar comigo.
— Você é sim, uma jovem revoltada com a vida e perdida em seus sentimentos – ele fala – eu não sou meu irmão e nem mesmo meu sobrinho, se precisar de algo, pode me procurar.
— E porque está fazendo isso?
— Porque você acolheu a minha filha – ele fala fechando a porta da casa e saindo.
Eu encaro o espelho que refletia na minha frente,, eu sentada no sofá, eu engulo o choro, porque eu jamais iria chorar por causa do meu passado.
A porta se abre novamente e era Lorenzo, eu limpo os meus olhos cheios de lagrimas na mesma hora.
— O que está fazendo? – ele pergunta
— Não te interessa, agora você quer comandar até o que eu faço ou deixo de fazer, quer decidir quando eu respiro ou naõ respiro também? – eu falo nervosa.
— Abaixa o tom de voz – ele fala calmo e eu o encaro
— Sínico, está me mandando baixar o tom de voz? – eu pergunto – você me trata que nem um bicho, um animal, me bate, joga minha cara no vaso e depois me coloca nessa casa para acobertar as merdas que você fez comigo, e agora quer me mandar baixar o tom de voz? – eu me levanto e ele me encara.
— Porque estava chorando? – ele pergunta se aproximando de mim.
— Eu não estava chorando – eu falo – e se eu tivesse chorando, você seria o ultimo a saber.
— Estou sendo bem paciente com você e nem estou vindo aqui – ele fala.
— Obrigada, assim você me deixa menos enjoada.
— Você está enjoada? – ele pergunta
— É o modo de dizer seu o****o – eu falo
— o****o? – ele fala segurando meus braços – quem é o****o aqui sua v*******a?
— Sou v*******a com muito orgulho – eu o empurro e faço ele me soltar – mas não sou um o****o, filhinho de papai, se você não fosse filho do dono do morro, você não seria nada, porque todo mundo te passa para trás, até eu mesmo te passei para trás, te dei a p***a de um chá de b****a e roubei a tua grana.
— E eu te encontrei sua v***a louca – ele fala
— Me chama de v*******a, de v***a mas não me chama de louca – eu falo para ele.
— Surtada, maluca é isso que você é – ele fala me empurrando contra o sofá e eu dou um chute nele,e ele vem para cima e eu começo a bater nele e ele segura os meus braços.
— Me bate, me bate, deixa marca que eu juro que não escondo com maquiagem nenhuma.
— Lembra de Tea e de Sara – ele fala me encarando nos olhos – o que eu posso fazer com elas – ele me solta.
— Você não pode mais me machucar, não é mesmo Lorenzo? – eu pergunto para ele e ele me encara bem nervoso – só pode me ameaçar.
— E eu posso cumprir as minhas ameaças – ele fala me olhando – faço você assistir a morte das duas de camarote. – eu olho para ele.
— Ok, você ganhou – eu falo colocando a mão para cima.
— Vai rolar churrasco na casa do Ph, se arruma que você vai – ele fala – te busco em algumas horas.