conselhos

951 Words
— Porquê estás chateada, tia? - Perguntou Adriana. — Meus netos, um está na quarta classe, outro, está na quinta classe, mas não sabem ler. - Disse Lisandra, e acrescentou: — Veja só, a caligrafia deles. Eu não sei como minha nora cuida deles. — Será que ela não percebeu que os filhos só estão a passar de classe, mas não sabem nada? — Já decidi, amanhã vou falar com a professora deles para os fazer regressar para a classe anterior, não deviam ter passado. — As passagens, são automáticas, tia. — Mas, tais professores não conseguem ver que estão a formar cancros, não podem chamar aos pais e aconselhar que o ideal é que não progridam? Ahhh… mas os meus netos, não serão burros, vão recuar, mesmo. Adriana pensou um pouco, e depois disse que podia fazer alguma coisa. — Espera tia, eu posso ajudá-los sem precisarem recuar. — Como? Não sabem nada. Nem copiar sequer. — Eu vou ensiná-los. — Tu? — Sim, eu ensinei Isac a ler e a escrever, antes mesmo de ir à escola. — Podes fazer isso? — Sim, e depois, posso ajudá-los com as matérias da classe, como faço com Isac. — Ohhh minha filha, muito obrigada! Tu és um anjo, sabes. No dia seguinte, Adriana arranjou mais duas caixas de refresco para os netos de Lisandra que se juntaram à Isac para terem explicação. Dias, foram passando e todas às tardes, lá estava Adriana se dedicando a ensinar as crianças. Em duas semanas, os netos de Lisandra já sabiam ler. No teste tiveram uma boa nota, e Lisandra, feliz, contou para outras senhoras do bairro. Outras mães, se entusiasmaram e bateram à porta de Helena para falar com Adriana. — Serão muitas crianças, irei precisar de quadro, giz, apagador, mais bancos e mesa. - Disse Adriana, falou ainda: — Posso dar explicação às crianças, eu gosto de ensinar. Mas terão que pagar um valor mensal. Isto, chama-se aproveitar as oportunidades para gerar rendimentos. Adriana fez uns cálculos rápidos e disse: — Se pagarem trezentos meticais por criança eu posso ensiná-las. As senhoras reclamaram o valor e pediram para pagar duzentos, afinal eram de classe média. — Só posso baixar para duzentos e cinquenta. E deve ser pré-pagamento, pois eu não tenho capital. As senhoras reclamaram, pois já não tinham dinheiro, mas garantiram que fariam esforço para pagar a dobrar no final do mês. Adriana concordou. Depois, falou com a mãe, e pediu que ela a autorizasse a usar as cadeiras dela. Helena murmurou e reclamou, mas Adriana, com sua cara de anjinho, acabou amolecendo o coração da mãe e lhe autorizou. Em seguida, foi ter com Alex e pediu para ele pregar uma tabua nos paus para que pudesse fazer uma mesa improvisada. No dia seguinte, Adriana recebeu oito crianças, depois em menos de uma semana recebeu mais três e até ao final do mês, tinha recebido mais sete crianças. — Mãe, aqui está este dinheiro para ajudar-te nas contas da casa. - Disse Adriana. Helena pegou no valor e contou, eram três mil contos. — Adriana, este dinheiro? — Sim mãe, desculpa, este mês só poderei te dar esse valor, porque tive que pagar bancos na carpintaria, comprei giz e apagador, e sobrou mil contos para meu transporte para escola, e cópias que preciso fazer. — Filha, não estou a reclamar por ser pouco, estou admirada porque é muito dinheiro. Onde conseguiste esse dinheiro, todo? É aquele moço dono do supermercado? — Mamã, eu já te disse que não tenho nada com aquele senhor. Esse dinheiro é do pagamento das crianças que dou explicação. Mamã, por favor tens que confiar em mim. - Apelou Adriana. — Mas aquele moço disse para dona Alzira que tem uma relação consigo. - Disse Helena. — Mamã, é mentira, isso! Um deles está mentir. Aquele senhor é casado. Eu nunca lhe disse mais de quatro palavras. Se ele está interessado em mim, nem campo de me falar eu nunca lhe dei. Mamã, por favor, confia em mim. Esse dinheiro é do trabalho que faço. Helena se acalmou, ela precisava confiar na filha, também não tinha outra alternativa. Com essa renda mensal, Adriana já não precisava ir à escola a pé, economizava tempo e forças, e assim podia ter mais turmas. Depois de alguns meses, Adriana conseguiu algumas pessoas que precisavam se preparar para o exame da décima classe. O que aumentou seu rendimento, e podia ajudar ainda mais sua mãe, com as contas da casa. Adriana foi à reprografia da escola, mas naquele dia, não foi atendida por Júlio. — Bom dia! - Disse Adriana. — Quantas cópias? - Perguntou o jovem, sem olhar para ela. — Não te conheço, és novo, aqui? - Perguntou Adriana. O jovem levantou a cara e ficou congelado, quando viu Adriana. Ela tinha esse poder de hipnotizar os homens e torná-los mudos. — Oi… - Chamou-lhe Adriana de volta ao planeta terra. — Desculpa moça. - Disse o jovem, enquanto lavava a cara com o ar. — Sim, é a primeira vez que cá venho, sou irmão do Júlio. Meu nome é Hugo. E tu, como te chamas? — Adriana! E o Júlio? — Ele virá mais tarde, foi à uma entrevista. No mesmo instante em que conversavam, Júlio chegou e os interrompeu. — Cheguei! - Disse Júlio, e perguntou: — Irmão, como foi? Te deram muito trabalho? Júlio viu que Hugo olhava para Adriana de forma estranha, e então questionou: — O que foi? Atrapalhei alguma coisa? — Claro que não Ju, estávamos a falar de ti. - Respondeu Adriana. — Então minha gostosinha, vieste me ver ou apenas fazer copias? - Perguntou Júlio, para o espanto de Hugo.
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