— Louco, vinha fazer cópias. – Disse Adriana.
— E não ganho nem um beijinho? – Perguntou Júlio.
A cara de Hugo mudou. Ficou meio aborrecido, meio espantado, e enciumado.
— Va lá gostozinha do meu coração, dá-me um beijinho só, pode ser aqui no cantinho da boca. – Insistiu Júlio.
— Estás mesmo louco!
– Disse Adriana, enquanto abanava a cabeça.
— Vocês têm alguma coisa? – Perguntou Hugo.
— Claro irmão, ela é a menina do meu coração. – Disse Júlio.
— Tchau meninos já estou atrasada. Toma o pagamento pelas cópias. – Disse Adriana.
— Não. O que é isso? Já te disse que aqui não pagas nada. Se quiseres, tudo isto é teu. – Disse Júlio.
— E passas a vida toda a pagar o seu patrão.
— Para te agradar gostozinha, eu vendo até minha cabeça.
Adriana, acenou a mão, virou-se diante dos irmãos que não paravam de admirar tanta beleza junta, pôs-se a andar enquanto seu rabinho movimentava-se perfeitamente, mesmo dentro daquele uniforme.
— Limpa a baba miúdo. É muita areia para o seu camião. – Disse Júlio.
— Tu e ela? – Perguntava Hugo.
— Claro, respeite sua cunhada hein… não quero brincadeirinhas.
— Mas tu.
— Não fale coisas que não têm importância. E não te metas nos meus assuntos.
Júlio contou ao irmão que foi admitido e que começaria a trabalhar no dia seguinte, e que ele deveria continuar na reprografia.
— Mas vão me pagar? – Perguntou Hugo.
— Sim. Vou te dar assistência até saberes fazer bem todo o trabalho. Todos os dias depois de terminar o expediente, eu virei aqui te ajudar com o fecho de contas – Disse Júlio.
Assim foi durante os dias seguintes, igualmente seguiram os mesmos joguinhos entre Júlio e Adriana, sob o olhar enciumado de Hugo.
Com o dinheiro que conseguiu juntar, Adriana comprou o seu primeiro celular, tinha camêra traseira, acesso a internet, do jeito que ela queria. Mas dona Helena não levou aquilo com a mesma alegria.
— Como compraste isso? Esses telefones são caríssimos Adriana. – Disse Helena.
— Venho juntando dinheiro já há alguns meses mamã, é para me ajudar nos trabalhos da escola também. – Disse Adriana.
—
Adriana vai a reprografia
— Júlio não está, só virá no final do dia. – Disse Hugo, com cara de poucos amigos.
— Fiz-te alguma coisa? – Perguntou Adriana.
— Não cunhada, apenas estou a dar-te satisfações.
— Cunhada?
— Sim, cunhada.
— Desculpa vou entregar este material ao director pedagógico.
Hugo saiu da reprografia deixando Adriana lá.
Adriana já era mulherzinha, mas era muito ajuizada. Todas suas amigas já tinham deixado de ser virgens, mas ela nunca tinha nenhuma relação séria, apenas alguns namoriscos de esquina, uns beijinhos aqui ou amassos ali, nada mais que isso.
Ela gostava de poder se abrir mais com sua mãe, serem mais amigas, mas como dona Helena fervia em pouca água, fazia confusão por tudo menos nada, Adriana acabava se retraindo.
Daí a necessidade de as mães conversarem mais, de forma aberta, ouvirem mais, e criar formas mais pacíficas de lidar com os erros dos filhos, e assim poder acompanhar de perto cada passo deles.
Quanto mais amizade tiverem com seus filhos, mais próximos deles estarão.
Adriana também gostaria de ter uma irmã mais velha que fosse sua amiga, que pudesse conversar sobre tudo, que pudesse lhe dar bons conselhos, mas Cecília parecia alguém que vivia em outro planeta, sempre distante de tudo e de todos, sem interesse em nada e em ninguém.
Não tinha tempo para ouvi-la. Não lhe dava a atenção que precisava.
Por falta, abrigava-se na tia Lisandra.
— Ele tratou-me com frieza hoje. – Disse Adriana.
— Quem? Júlio ou Hugo? – Perguntou Lisandra.
— O Hugo, tia.
— Nem olhou para mim.
— E ainda me chamou de cunhada.
— Cunhada?
— Sim. E foi embora sem se explicar.
— Então ele está consciente que tu tens uma relação com o irmão.
— Mas eu não tenho nada com Júlio. Só dou corda as brincadeirinhas dele.
— Filha, de qual dos irmãos gostas?
— Tia, eu só queria que Hugo fosse meu amigo. Só isso.
— Olha filha, está mais que claro que Hugo está apaixonado por ti. Por isso ele está se afastando de ti, porque é difícil pensar que a mulher que ele gosta, pode ser a cunhada dele.
— Mas eu não tenho nada com Júlio.
— Mas ele não sabe disso filha. Nem eu entendo o que tens com Júlio.
— E se Hugo acredita que tu és a cunhada dele, é porque Júlio disse que tu e ele estão namorando.
— Com que direito ele disse isso?
— Querida, quando a mulher aceita favores de um homem, dá esperanças a esse homem.
— Ele não é seu namorado, mas dá-te cópias, impressões, materiais sem cobrar nada.
— Eu nunca peço.
— Mas também nunca negaste.
— Se fosse Júlio a deixar de falar consigo, por qualquer motivo, como te sentirias?
— Tia, eu não sinto nada por Júlio, ele é muito animado, e eu me divirto com ele só isso.
— E vais conseguir ficar sem falar com Hugo?
— Acho que não. Doí-me aqui no peito.
— Não joga com esses dois, minha filha. E tome em conta que eles são irmãos, e podem virar inimigos por sua causa.
— Coloque cada um no lugar a que pertence na sua vida, e não fica fazendo jogos duplos.
Cecília estava com três comprimidos na sua mão, olhou para eles, depois para o espelho e começou a chorar.
Adriana chegou em casa, e quando passou para o quarto percebeu os choros na casa de banho, bateu a porta e foi logo entrando.
— Sai daqui Adriana. – Exigiu Cecília.
— O que se passa, minha irmã? – Perguntou Adriana, bastante preocupada.
— Não tem nada a ver consigo. Saia daqui.
— Mana desculpa, mas não posso. Seja o que for, confia em mim. Eu vou te ajudar.
Cecília dá um mau jeito e os comprimidos caem e rolam no chão.
Adriana olha para irmã, e depois para os comprimidos, passando mil filmes em sua cabeça.
— Mana querias te matar?