— Não Adriana. Como podes pensar em algo assim? - Perguntou Cecília.
— O que queres que eu pense?
Mana, desculpa, mas foi a primeira ideia que me veio à mente, encontrei-te a chorar, com comprimidos na mão. - Disse Adriana.
Cecília sentou-se na banheira, e pousou sua cabeça em suas mãos que estavam apoiadas com os cotovelos em suas coxas.
— Estou grávida. Não sei o que fazer.
— Mana, o quê?
Eu nem nunca vi um namorado seu. Juro que essa hipótese não me passou pela cabeça. Querias interromper?
— Pensei nisso, até comprei comprimidos, mas não tive a coragem de tomá-los.
— Porquê querias interromper?
— Meu filho não têm pai.
— Como assim? A pessoa que te engravidou?
— Foi ele quem me deu dinheiro para interromper a gravidez.
— E tu queres interromper?
— Não sei.
— Então não interrompa. Pense, repense, e saiba mana, tens uma família e não estás sozinha.
— Mamã vai me matar.
— Ela vai se chatear sim, vai gritar, se espernear, mas jamais te abandonará.
— Não sei Dri. Minha cabeça está uma confusão.
— Imagino. Mas mana tem de lembrar que essa criança não tem culpa.
Cecília continuou a chorar, disse a irmã que não iria interromper a gravidez, pois, de facto a criança não era culpada. Adriana disse que ela tinha que contar para mãe, antes que ela descobrisse. Cecília disse que encontraria um momento para contar para todos.
Hugo ficou passado quando viu Adriana a entrar na escola na companhia de Júlio, sem perceber que coincidentemente apanharam o mesmo chapa.
— Estavas com ela? - Perguntou Hugo.
— Já te disse que é minha dama aquela. - Respondeu Júlio.
— Tu tens namorada, Júlio.
— E posso ter quantas eu quiser.
— Isso que estás a fazer com Adriana não é bom. Não é certo. Ela não merece isso.
— Não te metas nos meus assuntos Hugo, senão vai acabar mal. Vai procurar outra mulher para gostar, aquela é minha.
Como podia Hugo viver, vendo a mulher que gostava sendo enganada com seu próprio irmão. Ele sabia que o irmão não amava Adriana, era apenas um capricho dele. Com quem ele deveria ser leal, Adriana ou com Júlio?
Adriana chegou na sala dos professores, no momento em que uma professora mostrava para a outra uma revista de cosméticos.
— Queres comprar, Adriana? - Perguntou a professora.
— Gostaria sim de ter, mas não tenho dinheiro professora. - Disse Adriana.
— Ish… Ninguém têm dinheiro. Investi meu dinheiro neste negócio, e não estou a ter retorno.
Epáh, não falta muito irei desistir disto.
— Desistir?
— Sim, comprei dez perfumes, dez cremes, dez batons, e esta tudo lá em casa, não consegui vender nada.
— Posso vender para a senhora.
— Queres entrar? Precisas de ter seis mil meticais.
— Não estou em condições de entrar, mas posso vender o que a senhora já comprou, e me dá metade do lucro.
— Metade? Ahhh não. Posso te dar cem contos em cada produto vendido. - Disse a professora.
— Se eu não vender, a senhora ganha quanto? - Perguntou Adriana.
— Nada, ainda entro no prejuízo.
— Estou a lhe dar uma oportunidade de reaver o dinheiro que investiu e ainda ganhar parte dos lucros, sem a senhora fazer nada. Eu vou usar meu tempo, meu dinheiro para deslocação, meu dinheiro para comunicação, meus argumentos para vender seus produtos, e ganhar apenas cem contos? Esse valor não cobre nem os meus gastos.
— Tu és muito esperta.
— Não é esperteza professora, são cálculos.
Há quem faz negócio apenas para fazer alguma coisa professora, há quem faz negócio para ganhar e crescer. Eu gostaria de ganhar e crescer.
A professora aceitou a proposta de Adriana, no final das aulas, passaram da casa dela, entregou-lhe a mercadoria, para que passasse a vender.
— Já lhe disse que a sua esposa é muito bonita, professor Jano? - Perguntou Adriana.
— Não. Mas ela é mesmo linda. - Disse o professor.
— Eu admiro homens que cuidam bem da sua mulher. Ela está sempre tchunada.
— Claro, eu gosto de mimá-la. - Disse o professor todo convencido.
— Imagina só como ela vai amar, se receber do maridão um bom perfume!?
Veja este aqui, com aroma doce, é uma boa sugestão.
— Será que ela vai gostar?
— Vai sim, uma mulher com bom gosto, gostaria, e ela é uma mulher muito chique.
— Está bem, dá-me um.
Adriana pegou no perfume, colocou na caixinha, e entregou ao professor.
— Tem também este batom, percebi que ela adora vermelho, este é permanente, ela vai adorar.
Toda mulher gostaria de ter batons permanentes.
— Vai acabar todo meu dinheiro, menina.
— Professor, sua mulher merece. E olha, está bem acessível.
— Está bem, podes me dar um. Toma seu dinheiro, e vai. Tens uma lata terrível, ainda saio daqui sem dinheiro nenhum.
Depois foi a secretaria, estavam lá as senhoras da administração e algumas professoras.
— As bonitonas da escola juntem-se todas aqui. - Disse Adriana.
— Queres fichas da semana, doce Adriana? - Perguntou a senhora da secretaria.
— Não, vim mostrar-vos uns produtos super bons. E como as senhoras têm bom gosto, vão amar.
— Mostra-nos.
— Este batom combina com a senhora, como gosta de roupas claras, vai ficar bem.
Sente só este perfume, dona Zita.
Assim foi, na cara da dona do negócio, Adriana com seu briefing, naquele mesmo dia vendeu quase a metade dos produtos.
— Boa tarde. Queres cópias? - Perguntou Hugo.
— Não, não vim fazer cópias. - Respondeu Adriana.
— Ahm… Okay. Júlio não está. - Disse Hugo, enquanto se virava para outro lado.
— Não vim a procura de Júlio. Tenho cosméticos a venda.
— Não uso cosméticos femininos.