— Como não és homem o suficiente, para conquistar uma mulher e tê-la em sua cama por vontade própria, seja homem, para comer uma mulher que não te quer, que não sente nada por ti, e apenas abre suas pernas para que se livre de ti.
Aqui estou. - Disse Adriana.
Ivo continuou parado, sem perceber se ia para frente, ou para trás.
— Vem, estou à espera, tenho que estar em casa antes das dezoito horas. - Continuou Adriana.
Ivo, suava de nervoso e, curiosamente, não conseguia levantar o macaco.
— Éhhh, dr. Ivo, não era o que querias? Não é por isto que não estás a deixar-me estudar em paz? Vem e come.
— Adriana… - Tentou falar Ivo.
— Não precisa falar nada. Apenas faça o que tanto queres. Só te peço para não me beijar. Basta o asco que vou sentir em meu corpo, não quero sentir o gosto amargo de uma boca que nunca desejei.
Ivo, caminhou em direção à Adriana.
Ela continuava ali, olhando para ele fixamente, com ar de desprezo.
Adriana, por dentro, tremia de medo, receava que Ivo a possuísse, na verdade, não era o que ela queria.
Cheio de raiva, não parava de transpirar, de tão nervosa que estava.
Ivo, estava claramente perturbado, como se lutasse contra algo dentro dele. Aproximou-se de Adriana. Ela podia ouvir como ele ofegava.
Ivo, então, tirou a camisete, de seguida baixou rapidamente as calças. Adriana que estava apavorada, decidiu olhar para baixo, para ver o que a esperava.
— Ha ha ha ha… - Riu-se Adriana, ao ver que o macaco estava arreado.
Numa mistura de raiva e vergonha, Ivo empurrou Adriana, tirando-a de sua frente.
— Vá embora, saia já daqui. - Disse Ivo.
Adriana, sem hesitar, pegou no vestido, colocou-o e caminhou em direção à porta de saída.
Pegou na fechadura da porta, e antes de abri-la, virou para Ivo, que estava ainda com as calças na mão, incrédulo.
— Ilustre dr. Ivo, cumpri com suas exigências, vim e te dei o que tanto querias.
Não sou culpada se o motor não arrancou. Contudo, seria bom que o senhor me deixasse estudar em paz!
Dito aquilo, Adriana saiu da casa e fechou à porta, sem fazer barulho.
Não sei explicar porquê os homens gostam de contar e saber sobre os envolvimentos sexuais dos seus homólogos. Assim que Ivo recebeu a chamada de Adriana dizendo que ia ao seu encontro, correu a fim de gabar-se em sua turma que estava a um passo de colocar as mãos e tudo mais o que tinha em Adriana. Horas depois, ansioso em saber como havia sido, Octávio, ligou para o amigo, mas este não atendeu, insistiu à noite toda, no entanto, não foi atendido.
No dia seguinte, Adriana foi à faculdade linda, e confiante. Jurando que se Ivo continuasse a perturbá-la, contaria a todos que ele não foi capaz de fazer absolutamente nada. Do outro lado, estavam os colegas de Ivo, ansiosos em saber os detalhes. Ivo viu como os colegas babavam por Adriana, e não teve coragem de contá-los a verdade.
— Comi… e bem! - Disse Ivo, tentando enganar a si mesmo.
— Éhhhhhh…. - Festejaram os outros.
— Liguei-te toda noite. Não me atendeste. - Disse Octávio.
— Yáhhh… páh… estava exausto. Aquela menina é fogo. Depois que a mandei para casa, caí morto na cama. - Disse Ivo, a gabar-se.
— Conta lá como foi. - Disse Octávio.
— A miúda é doce… - E lá foi Ivo, contando uma história erótica imaginária.
Até podia-se dar um título, a _“Fantasia do Macaco Que Não Levantou”._
A notícia de que Ivo e Adriana tinham um caso consumado espalhou-se, e foi de conhecimento geral, docentes, estudantes, inclusive o pessoal administrativo.
Ivo encheu seu ego, apesar de saber que não encostou na moça. Saber que todos acreditavam que ele tinha um caso com Adriana, fazia-o sentir realizado.
Por outro lado, Adriana teve no início, dificuldades em lidar com a fofoca, com as bocas e indirectas, apesar de Ivo tê-la deixado em paz. Mas depois de alguns dias, quando percebeu que a fofoca afastou os outros docentes que a rodeavam e de igual forma dos colegas engraçadinhos, ela percebeu que havia matado dois coelhos numa pancada só.
Com mais tranquilidade, pode então continuar a estudar.
Adriana era inteligente, sabia se expressar, era empenhada e dedicada, tirava boas notas, mas ninguém a via capaz, ou simplesmente não queriam reconhecer, por isso foi rotulada, como a que conseguiu boas notas por influências.
— Melhores notas o quê? Ela é amante do dr. Ivo, por isso todos docentes lhe dão nota para dispensar.
Rosa conversou com Adriana sobre tudo o que falavam e perguntou-lhe como conseguia ficar tão calma.
— Estão todos a falar. Como consegues ficar indiferente? - Perguntou Rosa
— Porque não é verdade. - Disse Adriana.
— Se não é verdade, porquê não desmentes? Porquê não te defendes?
— Para quê?
— Para limpar seu nome.
— Ninguém me perguntou nada. Queres que eu suba numa mesa, e grite para todos que não tenho, nem nunca tive nada com aquele senhor? Ou que eu fale com um por um?
— Tens que fazer alguma coisa.
— Ninguém vai acreditar na mesma. Vão dizer que quero me fazer de santinha e de coitadinha. Ahhh Rosa, que cada um acredite no que quiser. Para mim, o que importa mesmo, é que tenho espaço para estudar sem intromissões. Enquanto uns aproveitam as distrações para descansar, eu aproveito para trabalhar e ganhar.
Hugo, também ouviu sem muitos detalhes, que falavam da namorada com o tal docente. Fervoroso, foi tomar satisfações dela, tranquilamente, Adriana explicou que não teve e não tem nada com o docente e que eram apenas boatos.
Hugo, como das outras vezes que foi movido pela insegurança, insistiu com Adriana, para que marcassem enfim a data de casamento. Adriana, pediu que ele aguardasse até que ela, pelo menos, terminasse aquele ano.