Pete Vegas começou a agir estranho. No começo, pensei que fosse cansaço. Um daqueles dias em que o passado volta feito sombra. Mas passou a ser constante. Ele olhava pela janela com frequência, como se esperasse algo — ou alguém. Checava as trancas mais vezes do que o normal. Dormia mais tarde, acordava mais cedo. E quando eu perguntava, ele só respondia: — Só estou sendo cuidadoso. Mas eu conhecia aquele olhar. Vegas não estava sendo cuidadoso. Ele estava com medo. Uma noite, ele levantou da cama no meio da madrugada achando que eu estava dormindo. Fiquei quieto. Ele foi até o escritório e trancou a porta. Fiquei deitado, com Filo enrolado no meu peito, tentando entender o que estava acontecendo. Na manhã seguinte, fui eu quem acordou primeiro. Vegas ainda dormia, com a mandíbula t

