Brad está sem saber o que fazer.
Com a morte do pai, ele precisará se casar para assumir a cadeira da máfia. Por outro lado, não era tão simples assim e seus pensamentos enevoados sabiam disso. Claro que o caos gerado entre seu pai e Jafari era a última coisa que ele pensava.
O verdadeiro motivo que o levava a se sentir num abismo profundo era outro.
"Para que eu possa me casar com a minha princesa, eu teria que matar o Oliver, mas ele sumiu. Parece um fantasma. E a Kat não quer se casar agora, mas não posso perdê-la.”
O desespero o faz pegar depressa o celular e ligar para sua amada. Enquanto isso, ele anda de um lado a outro.
— Oi, meu lindo — ela atende.
— Princesa...
— Nossa, Brad, que cara é essa? — ela se assusta. — O que foi?
— Eu não sei o que fazer, eu precisava de você aqui comigo.
— Então vem, volta para a nossa casa.
— Eu não posso. Meu pai... ele está morto — a cena da morte retorna ante seus olhos.
Há um silêncio momentâneo do outro lado da linha.
— Espera aí, Brad. Como assim?
— Uma longa história, mas a culpa foi minha, meu amor.
— Mas e agora?
— Eu não sei — ele suspira. — Eu não quero me casar, Kat, não se não for com você.
— Brad...
— Eu vou dar um jeito, meu amor. Só vou demorar um pouco mais para voltar. Preciso enterrar meu pai. Me espera, está bem?
— Eu vou te esperar. Só tenta se cuidar, tá bom? Posso imaginar como está sua cabeça.
— Pode deixar, minha princesa. Eu te amo.
— Eu te amo.
— Eu também te amo muito.
Eles finalizam a ligação. Brad, com a mão tremendo e o celular ainda em sua posse, resolve ligar para Théo.
— E aí, irmão, está tudo bem? – pergunta Théo ao atender.
— Não está não, cara.
— Aconteceu alguma coisa... com ela?
— Kat está bem — Brad diz depressa. — Mas preciso falar com você, preciso da sua ajuda.
— Está em casa?
— Não, mas eu te busco na pista.
— Nos vemos, então.
Brad desliga o telefone. Théo não demora e já pega o jatinho da família Harris. Faz uma troca de roupa e se encaminha para o seu destino ao encontro de Brad. Ele avisa a mãe e sai. Não demora para que ele faça um pouso em Sidney. Brad já está na pista esperando-o.
— E aí? — Theo diz assim que vê o amigo. Repara que Brad não está bem. — Ei, o que foi?
— Meu pai, cara, ele... Ele está morto.
Théo o abraça alguns segundos depois de absorver a notícia.
Eles seguem para a casa de Brad. Chegando lá, vão para o jardim acompanhados por um silêncio opressor que logo é interrompido:
— Vou ser direto, mas quero que me deixe falar tudo que tenho para dizer primeiro — Brad começa. — Depois, você faz o que quiser comigo.
— Cara, já estou ficando preocupado.
— Tudo bem.... Lá vai.
Brad respira fundo.
— Bom, a Kat está bem. Ela está no colégio e já fez duas amigas, está se saindo bem. Quando vou para o Brasil, ela vai para o meu apartamento. Aí, no fim da aula, eu a busco.
— Vocês se tornaram amigos, isso me tranquiliza depois de tudo que ela passou...
— As coisas foram piores do que você sabe — atravessa Brad.
— Como assim?
— Ela estava grávida do Peter. E quando falei para ela do Pet, ela passou m*l, levei ela para o médico e ela perdeu o bebê.
— p***a — é tudo o que Théo consegue dizer, paralisado.
— Ela ficou muito abatida, então me organizei e fiquei lá por um mês. Eu me preocupei em deixá-la sozinha, ela estava muito triste e fiquei com medo de ela fazer alguma besteira e foi aí que lascou tudo.
— Como assim?
— Eu me apaixonei por ela — as palavras saem sem rodeios.
— QUE?
— Pois é, tentei afastar esse sentimento, mas não deu certo. Um dia ela falou que queria sair, que não ia mais sofrer, que iria seguir em frente. E me pediu para levá-la para algum lugar.
Então Brad contou sobre o amigo que tem uma boate e da permissão que conseguiu para a entrada de uma menina menor de idade no estabelecimento. Foi mais fundo, quando contou sobre um beijo que daria na bochecha da garota, mas que por acidente, acabou sendo na boca. Não deixou de dizer que ela retribuiu esse gesto e que, dali por diante, não se separaram mais.
A expressão de Théo era indecifrável. Brad mostra a aliança dele para o amigo.
— Essa aqui é a aliança que dei a ela quando a pedi em namoro. Estamos juntos.
— Brad, você tem noção do tanto que... o tanto que isso é perigoso para ela, cara?
— Eu sei... Eu já estava bolando um plano para matar o Oliver e assim poder trazer a Kat de volta, só que eu já estaria casado com ela, nos casaríamos no Brasil, para que assim o seu pai não pudesse interferir ou tentar nos separar, assim que ela fizer 18 anos. Mas agora que meu pai morreu, eu não sei... não sei o que faço.
— Merda, você vai ter que se casar para assumir, não tem como esperar tanto tempo!
Brad olha para ele e o amigo assente com a cabeça.
— Por mim, eu esperava por quantos anos fosse, eu amo sua irmã, cara.
— Se o conselho fosse composto por outras pessoas, daria para enrolar eles, mas quando você for apresentar a noiva, Oliver e meu pai vão saber que Kat não morreu e ela teria que cumprir o acordo com o Oliver.
— Por isso quero matar ele e por isso preciso da sua ajuda.
Théo sorri num esgar.
— Cara, ele sumiu do mapa depois que matou o Peter, tenho homens o procurando.
Brad dá um soco na parede.
— Não é possível — ele bufa. — Irei colocar alguns dos meus homens atrás dele também.
Havia qualquer coisa na expressão corporal de Théo dizendo que ele não se conformava.
— Lá vai minha irmã sofrer de novo — ele sacudia a cabeça. — Mas agora que estamos na chuva… vamos nos molhar. Não é isso?
— Acho que sim — Brad suspira. — Vamos encontrar uma solução para tudo isso.
Os homens de Brad chegam para avisar que o velório já vai começar. Théo liga para a mãe e avisa que vai passar alguns dias com Brad devido a morte do pai dele. Tem o funeral, diversos mafiosos, todos aliados, alguns que têm pretensões de usurpar o poder do filho de Brandon.
Brad enterra o pai ao som de seu próprio pranto. Após todo o momento sombrio, ele volta para a mansão, que agora está completamente vazia. Sente-se sozinho, então, ele liga para Kat e avisa que em dois dias volta para o Brasil, visto que também tem uma negociação de armas prestes a acontecer por lá. Mafiosos não tinham tempo de chorar a morte dos seus, afinal.