NO BRASIL
Brad chega e vai direto no colégio buscar Kat.
Ela se aproxima sorridente, com o uniforme escolar, tão menininha, tão pura, que sua luz afasta um pouco as trevas dos recentes acontecimentos. É bom estar perto de Kat de novo.
— Oi, meu lindo, como você está?
— Mais ou menos. Eu quero você, meu amor. É você que me deixa bem.
Suas palavras findam com um abraço carinhoso e um beijo longo.
— Vamos para casa?
— Vamos, eu já avisei que essa semana não venho, que vou para São Paulo com você.
— Obrigado, minha princesa.
— Não tem que agradecer — ela sorri, segurando as alças da mochila. — Quando eu mais precisei, você estava lá por mim, agora é minha vez de cuidar de você.
Foi impossível para Brad não abrir um sorriso também.
— Eu te amo tanto, meu amor.
— Eu também te amo, meu lindo.
Eles vão para o apartamento. Matam a saudade que estavam um do outro trocando carícias e as mais flamejantes demonstrações de afeto. Ambos dormem logo depois.
No dia seguinte, bem cedo, eles vão para São Paulo. Lá, Brad realiza as negociações de armas com um tipo chamado Gustavo. No outro dia, mandaria armas para São Paulo e levaria homens para a Austrália.
Depois de todas as negociações serem realizadas, eles voltam para o Rio de Janeiro. Chegando lá, Brad resolve falar com Kat, pois não quer esconder nada de sua amada.
— Meu amor, preciso falar com você, talvez você me ajude a achar uma solução.
— Já imagino o que seja.
Kat abaixa a cabeça, pois já havia pensado em tudo que poderia acontecer, desde que Brad a avisou que seu pai estava morto. Conhece bem as regras da máfia. Como ele não tem mãe, para assumir a cadeira em lugar de seu pai, ele precisa estar casado. Uma regra i****a, para Kat, mas para essa gente, o homem precisa de uma mulher ao seu lado para manter a sua humanidade, pois um homem sozinho pensando em poder talvez extrapolasse os limites.
— Você precisa se casar para assumir a posição do seu pai — Kat diz de uma vez.
— É sobre isso. Kat, eu não quero me casar com outra pessoa que não seja você.
— Eu não posso, você sabe, eu não me importaria de me casar com você e ainda poder ficar perto do Théo e da mamãe, seria perfeito. Só que eu não posso.
Kat começa a chorar sem que m*l tenha acabado de falar. Ela sabe que não ama o rapaz da mesma forma que amava o Peter, mas tem ciência de que existe um sentimento crescendo em seu interior e a assusta saber que ele se casando ela estará, de certa forma, sozinha.
— Era justamente por isso que eu não queria amar você, Brad Wilson.
— Amor, vem aqui.
Ele a abraça.
— Me desculpa, vamos achar uma solução.
Nesse exato momento o telefone de Brad toca. Ele verifica e vê que é o Théo.
— É seu irmão, vou atender.
— Fala, Théo.
— Deixa eu ver minha irmã? — pede Théo assim que Brad aparece na câmera.
Brad abre um sorriso e vira a câmera.
— Oi, grandão...
O tom da voz de Kat é de tristeza. Théo e ela sempre foram muito unidos e o rapaz logo percebe a tristeza no olhar da irmã.
— Você já falou para ela?
Brad vira a câmera para ele novamente
— Acabei de falar.
— Ei, pequena, não fica assim — diz Théo e Brad vira para ela de novo. — Pensei em algo. Um casamento por contrato.
Brad e Kat trocam olhares confusos.
— Como assim? Eu já te falei que só me caso se for com a Kat.
— Cara, você se casaria diante do conselho, mas aí você faria um contrato com a sua suposta noiva dizendo que seria por tanto tempo, seria um casamento de fachada, cada um no seu quarto — explica Théo. — Regras, cara. Sem contato e tudo mais.
— E o herdeiro? — Kat questiona, porque além do casamento, eles exigem o herdeiro. — Eu não vou ser chifruda.
— Pensei em falar com o conselho, já que você ainda é nova, você aceitaria se casar para assumir a cadeira da máfia, mas filhos, só daqui há 4 anos. Aí a gente resolve o assunto Oliver, a Kat faz 18 e você pede o divórcio, se casa com a Kat no Brasil mesmo e depois vocês fazem meu sobrinho ou sobrinha. Terão 1 ano de folga para fazer o baby
— O que você acha, amor? — Brad pergunta a Kat.
— Eu não sei — Kat murmura, o olhar enigmático.
— E aonde eu arrumo essa suposta noiva? – Brad pergunta, afinal, onde ele arrumaria uma garota que aceitaria isso?
— Ainda vou ver, mas se vocês concordarem, começo a procurar.
— A gente vai conversar sobre isso e depois falo com você – responde Brad ao perceber que Kat está com a cabeça longe.
— Tudo bem — Théo responde em meio a um suspiro. — Pequena, vai dar tudo certo, não quero mais te ver sofrer. Eu fiquei sabendo de tudo. O Brad me contou e dou minha bênção para vocês dois.
Ele consegue arrancar um sorriso da irmã com essas palavras.
— Obrigada Théo. Como a mamãe está?
— Ela pediu divórcio para o Thomaz, agora dormem em quartos separados.
— E minha amiga Pen?
— Os tios a mandaram para a França para estudar, para que ela esqueça as coisas — a voz de Théo soa com um pouco de tristeza, culpa, talvez.
— E você?
— Estou focado na caça ao Oliver. Vou matá-lo com minhas próprias mãos. Isso me distrai. Fora que saber que agora o Brad está cuidando de você, me conforta. E agora eu preciso ir, está bem? Eu amo você mais do que tudo, minha pequena, você vai voltar para casa.
— Eu também te amo, grandão. Cuida da mamãe.
— Pode deixar. Brad, cuida dela.
— Pode deixar, cunhado.
Théo desliga e quase no mesmo instante Kat cai no choro.
— Está com raiva de mim?
— Não, meu lindo — soluça a menina. — É que é tão difícil vê-lo e não ter ideia se um dia poderei abraçá-lo de novo.
— Calma, tudo vai dar certo, confia no seu irmão e em mim, daremos um jeito — ele sorri. — Mas me diz, o que achou desse plano maluco?
— Acho que é uma saída.
— Então você concorda?
Kat respira fundo.
— Concordo.
— Nada vai mudar entre nós. Continuarei usando nossa aliança, ela é a única que vou usar. A outra, só no dia do falso casamento. Você é o amor da minha vida, Katerina Harris.
Assim fica combinado e os dois continuam juntos. Brad irá se casar por contrato, eles tentarão falar com o conselho para que o rapaz precise ter filho somente após os 4 anos.
Brad avisa a Théo que sua irmã ficou de acordo. Ele, por sua vez, encontra uma suposta noiva para o rapaz: Andressa, uma das garotas de sua boate, uma que havia acabado de chegar, ninguém a conhecia. Ele faz a proposta para a menina e ela aceitou sem nem pestanejar. Claro, não tinha como ser diferente. Ela receberia 1 milhão e meio no fim do contrato e a última cláusula para justificar o divórcio seria arranjar um amante.
Durante o período do contrato, Andressa moraria na mansão, em um quarto que não seria o de Brad. Teria todo o luxo que uma verdadeira esposa de um Wilson teria, empregados a sua disposição, roupas, cosméticos e perfumes, tudo do bom e do melhor. Os empregados que frequentavam a casa de Brad assinaram um contrato de confidencialidade onde, caso algo vazasse, o responsável pagaria com a morte, pois para todos esse seria um casamento real.
Kat não gostou muito de Andressa quando viu a foto. Sentiu que ela aceitou muito fácil e que traria problemas para eles, mas ela só via isso como saída, então não teve o que fazer.
Brad jurou que nunca iria encostar nela, só o beijo do casamento perante o conselho, nada além disso.
— Brad, se você se deitar com ela, não precisa me procurar mais.
— Isso nunca vai acontecer. Eu tenho você para mim. Não preciso de outra.
— Vou confiar em você.
Andressa era uma menina com seus 19 anos recém feitos e um corpo escultural. Sua maior marca de beleza era o cabelo ruivo natural bem hidratado. Era longo e ia de encontro ao quadril. Seus olhos eram esverdeados, sua pele branquinha lembrava a de uma boneca.
Brad então se casa, mas fica combinado que ele sempre vai para o Brasil ficar com a Kat.
Uma vez por mês, eles passavam o final de semana juntos no apartamento. Entretanto, devido ao fato de estar casado, ele não tinha como ficar longe por muito tempo.
Andressa, esposa do Brad, estava encantada com tudo que estava recebendo. Sendo patroa, veio em sua mente que se ela conquistasse Brad, teria muito mais do que conquistou.
Logo, ela já não queria mais um casamento falso. Deixou o interesse falar mais alto e queria ficar com Brad para ter um padrão de luxo para o resto da vida.
1 ano se passou nesse meio tempo.
Andressa começou a se insinuar para Brad.
Para evitar qualquer coisa, ele ia para um apartamento que tinha e que ninguém sabia. Estava no nome de sua mãe, mas no nome de solteiro, nem seu pai sabia da existência antes de morrer. O rapaz dormia por lá e dizia dormir no escritório.
Até que um dia....