Foi um dia de altos e baixos emocionais para Thiago.
Kat voltou e isso fez com que ele se sentisse pelo menos um pouco melhor. Os dois tinham um combinado: nada de demonstrações em público, mas assim que a viu, não se controlou devido a saudade. No entanto, talvez aí tenha sido seu erro, pois por mais que ela tenha deixado que ele fosse buscá-la na casa de Isa para irem juntos à boate, Kat ficou distante.
Boates e bailes eram locais neutros, onde Thiago se sentia um sortudo por tê-la em seus braços. No entanto, quando ele e Fred foram buscar bebidas, deram uma olhada para a área VIP e viram Brad. Thiago ficou embasbacado e entendeu que ela possivelmente viu o ex, pois Kat sempre se esquivava quando ele tentava passar a mão em sua cintura ou algo do tipo.
“Ela viu o cara.”
Thiago sentiu-se afundando em loucura. Ele a amava, mas sempre tenta ter algo a mais, namorar com ela e só recebe não. Outra coisa que o irritava muito era o fato de ela nunca tirar aquela aliança. Viu-se como um trouxa, mas não conseguia fazer diferente. Só precisava ficar perto dela e, quem sabe um dia, ela sinta saudades e lhe dê uma chance de fazê-la feliz?
Quando Kat disse que partiria com ele, sua vontade era socar a cara do infeliz, mas se fizesse isso, ela jamais o perdoaria. Então a perderia de vez. Para sempre.
Thiago respira fundo e encara a realidade. Deixa uma lágrima escorrer, mas limpa antes que ela veja.
Assim que saem do salão da boate, assim que Thiago os vê indo embora juntos, o rapaz se senta em um banco que tem ali perto e nem percebe, mas lágrimas escorrem dos seus olhos contra a sua vontade. Fred se aproxima e é quando ele sente seus olhos arderem mais.
Então enxuga as lágrimas, pois não quer ninguém com dó dele.
— p***a Fred, o que ele tem que eu não tenho? — pergunta entre os dentes.
— Não é isso. Não é nada com você, a história deles é antiga, um sabe coisas do outro que ninguém mais sabe — explica Fred.
— Se ela tivesse se entregado para mim, aceitado namorar comigo eu já tinha feito ela esquecer o cara, eu sei que sim! Mas nem a aliança ela tira, é como lutar contra um fantasma.
— Ninguém manda no coração, cara, deixa ela para lá, e vai pegar uma garota qualquer.
— Não quero nenhuma outra pessoa, quero ela e Kat está com outro — ele ri, porém, sem humor. — Trouxa, depois eu colo os caquinhos dela — se levanta. — Acho que vou beber.
— É, vamos lá buscar alguma coisa.
Thiago começa a beber como se tivesse perdido ela de vez. Suas esperanças se esgotavam aos poucos, mesmo contra sua vontade.
Thiago nem se lembrava de como foi embora, nem onde estava seu carro. Tudo o que sabia era que acordava com uma dor de cabeça filha da p**a.
Olhou ao redor. Pelo menos, se encontrava em sua cama. Mas qual foi seu primeiro pensamento? Kat. Sempre Kat.
Kat
Quando Kat sente a aproximação de Brad, percebe um misto de sentimentos positivos que a imobilizam.
“Como ele consegue fazer isso comigo? Me deixar perdida desse jeito?”
Kat não n**a que sentiu falta dele. Desde a despedida dos dois, não foi aos finalmentes com ninguém; vez por outra com o Thiago, mas não seguiu adiante porque via em seus olhos o quanto o rapaz gosta dela. E se fosse adiante, talvez ele se apegasse mais.
Agora Kat está indo para o apartamento dele. A garota nota que o rapaz criou mais músculos. Em sua visão, está mais lindo que antes. Brad segura sua mão enquanto dirige, ambos em silêncio, mas está sendo confortável.
Fica pensando se ainda o ama mesmo depois de todo esse tempo. É uma reflexão enigmática. Ela resolve quebrar o gelo, pensar em qualquer coisa menos em sentimentos, pois teriam uma noite para matar a saudade e tudo acabaria de novo na manhã seguinte.
— Que dia você chegou? — pergunta.
— Hoje mesmo.
— Vai ficar quanto tempo?
— Ainda não sei ao certo — Brad dá de ombros. — Mas agora que o destino cruzou nossos caminhos, quero ficar o máximo possível.
— Brad...
— Ela se foi, Kat, eu resolvi isso.
— Foi você?
— Foi sim. — Ele aperta a mão de Kat, como se tivesse medo de que ela fosse embora. — Eu não suportei a dor de te perder por causa dela.
Brad encosta o carro na praia.
— Quando saí do apartamento naquele dia, eu bebi muito e não havia dormido nada. Eu precisava descansar, daí o motorista me levou para a mansão. Assim que entrei na sala, ela veio tirando o baby-doll dela, se insinuando para mim. Mandei ela parar e ela não parou, eu... eu não pensei, foi uma atitude levada pela raiva, dor, bebida, eu apenas saquei a arma e atirei.
Os dois ficam em silêncio por um tempo até Kat pigarrear e dar continuidade ao tema:
— E como ficou tudo? Já se casou de novo?
Assim que as palavras saem de sua boca, ela se arrepende, pois não quer que ele confunda as coisas. Não podiam ficar juntos, não vale a ilusão.
— Eu inventei que quando cheguei na mansão ela já estava morta e saí de casa de novo. Como eu te disse, não estava dormindo em casa, eu dormia no apartamento que era da minha mãe, o apartamento de solteira dela. Nem mesmo o meu pai sabia da existência dele. Fui para lá, me recuperei da minha cachaça, tomei um banho e dormi um pouco. Quando acordei, me livrei da arma e de qualquer vestígio do que eu havia feito. Fui para a mansão já à noite, como se tivesse acabado de chegar. — Ele respira profundamente. — Quando eu vinha para cá, ficar com você, eu não deixava empregados em casa, apenas 3 seguranças que são de minha confiança. Minha esperança era ela fugir ou sumir, sei lá. Então foi fácil contornar a situação.
— E por que você não me procurou?
— Eu te dei minha palavra, meu amor.
— Sim.
Kat não sabia o motivo, mas em instante lhe bateu um arrependimento de não ter ligado para ele quando viu a notícia. Foi muita emoção de uma só vez e a menina cai no choro.
— Não chora, por favor, eu estou aqui.
Ele a abraça.
Os dois descem do carro. Ambos correm pela areia da praia, como naquela vez em que Brad prometeu que a missão dele seria fazer Kat sorrir para sempre. Depois ele a segura e a beija. A menina se entrega ao momento, logo passa os braços em volta do pescoço dele. Era como se nada faltasse na vida deles, afinal, estavam juntos mais uma vez.