Contando a ela

1131 Words
“Eu não acredito que estou vendo-a, minha Kat, o amor da minha vida.” Brad respirou fundo. Sua princesa ficou ainda mais linda com o passar dos meses, como que isso foi possível? Estava ciente de que fez uma promessa de não ir atrás dela de novo, mas ele não foi, de certa forma: foi ação do destino e ele não perderia essa oportunidade. “Kat não imagina, mas o irmão dela está chegando aqui no Rio de Janeiro amanhã cedo. Vou lá falar com ela, essa é a desculpa perfeita.” No entanto, bem quando parte em direção a ela, vê aquele moleque. Devem ter ido juntos. Mas será que eles estão juntos mesmo? Então percebe que Kat ainda está de aliança. “Ah, quer saber? Que se f**a tudo. Estou indo, meu amor.” Brad sai da área VIP e vai em direção a ela. Kat não percebe minha presença, então escuta um pouco da conversa que ela estava tendo com um rapaz que na certa era de sua escola. — Você não vai ficar com o boy? — diz o garoto que está com ela. — Não — responde Kat e isso provoca uma risada em Brad. — Por quê? — insiste o outro. — Ele é doidinho em você, na aula só fala de você. Isso faz Brad pensar em voltar atrás. Ora, se ele quer o bem de sua amada, tem que levar isso em consideração, pois fez uma promessa. Abaixa a cabeça e respira fundo. Quando Brad decide voltar à área VIP ou até mesmo ir embora, ouve Kat dizer o que qualquer homem que ainda ama alguém quer escutar: — É justamente por isso — afirma. — Não quero fazê-lo sofrer. Não quero me envolver com ninguém, eu tentei ficar com ele para ver se esquecia o Brad, só que não deu certo. Pronto. Escutar somente aquela fala foi o que deu ânimo a Brad para retomar sua rota. — Quer dizer que você não me esqueceu? — pergunta sem se conter. Kat se vira. Nessa hora, Brad vê em seus olhos que ela ainda sente algo. Era real, estava no brilho de seu semblante. A esperança de ficar junto dela volta com tudo, é como se não tivessem ficado nem um mês longe um do outro. — Meu amor, podemos conversar? Antes que ela aceitasse ou não, aquele outro moleque chega perto dos dois como se Kat fosse dele. A vontade de Brad é matá-lo ali mesmo, já que ele a quer, mas Kat não o perdoaria. Sua princesa ainda não sabe no que se transformou, que agora era o Demônio da Austrália. Ele pergunta se está tudo bem. Brad sorri num esgar. Como não estaria? Ele estava ali, com ela, não deixaria nada e nem ninguém fazer qualquer coisa com sua princesa. Portanto, aquela frieza que adquiriu após o término com Kat, ressurge por seu corpo, mas recua tão logo quando Brad ouve a voz dela, a voz do amor de sua vida o chamando... — OK, meu amor, me desculpe. Os dois conversam por um tempo e depois se abraçam. Isso não o agrada, mas Brad se controla. Pela sua princesa, domaria o demônio em seu interior. Ela fala com o tal do Fred para cuidar do moleque chamado Thiago e comunica a Isa que partirá dali com o “ex.” Brad se sente rindo à toa. Esse é o efeito de Kat em sua vida, ela o desmonta, faz com que o seu monstro interior fique calmo. Enquanto esperam trazer o carro, Brad não resiste e a puxa para um beijo. Teme que ela não goste, mas kat corresponde. Era fabulosa essa sensação. — Eu te amo — ele diz. Continua beijando-a, mas se lembra de Théo e do motivo que está trazendo-o ao Brasil. — Precisamos conversar. — Depois, Brad. Ela passa as unhas na nuca do rapaz, provocando-lhe um arrepio por todo o corpo. — Ah, Kat. Se beijam novamente. Em seguida, a caminho do apartamento, passam por uma praia e se lembram dos nossos primeiros dias no Rio. Brad resolve parar e descer, mas antes disso, Kat pergunta sobre Andressa. Brad não vê escolha a não ser contar para ela como tudo aconteceu. Só não fala do conselho assassinado por ele e de seu novo apelido: “Demônio da Austrália”. Brad a convida para darem uma volta na praia. Os dois brincam como naquele dia. O rapaz a vê sorrindo e eles se beijam. Sente-se tão completo ao lado dela. A dupla se senta na areia. — Achei que o hotel já estava pronto. — Está quase, ainda faltam alguns ajustes, mas a inauguração está perto. — Entendi. — Amanhã, tem uma pessoa que iria te procurar de todo jeito, por isso fui até você, para já deixar marcado. — Quem? — ela olha assustada. — Um tal de Theodoro Harris. — Como? — ela gagueja. Brad não sabe dizer se é felicidade, preocupação ou medo. — Ele precisa falar com você, sei alguns pontos da conversa, mas não tudo. De toda forma, eu não posso falar nada, sinto muito. — Tudo bem — ela dá de ombro. — Hoje eu quero curtir esse reencontro um pouco, talvez amanhã não nos veremos mais. Brad sente o peito apertar e vira de frente para ela. — Não faça isso, princesa, vamos voltar. Sem você, fico sem controle, me tornei um monstro... — começa a passar na mente de Brad as coisas que ele fez. — Brad, nossos problemas permanecem os mesmos. Ao ouvir isso, Brad sente a necessidade de contar a ela sobre o conselho. A notícia da morte daqueles que o pressionaram para o casamento a deixou em choque: — Você fez o que?! — exclama Kat. Brad suspira. Entende que mesmo a menina sabendo que ele é mafioso, não deixa de ser um feito surpreendente. Afinal, o conselho era temido por todos os mafiosos, o que ele realizou foi inédito. Quando se é formado, o conselho e os integrantes se veem como superiores e intocáveis, mas Brad provou que não é bem assim. — Não me arrependo de tê-los matado — ele diz num fôlego só. — Posso até não me casar com você, mas me recuso também a casar com qualquer outra pessoa. — E seu patrimônio? Você precisa de um herdeiro. — Quer me dar um? Pensa em um filho nosso? — Brad... — Eu sei, princesa, desculpa, mas quando eu estou com você, perco meu juízo. Eles se beijam e seus olhos se conectam por um longo instante. — Vamos para casa? — Brad convida. — Vamos — ela sorri. Brad se levanta e estende a mão para Kat. Ambos voltam para o carro e seguem para o apartamento.
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