“Eu não acredito que estou vendo-a, minha Kat, o amor da minha vida.”
Brad respirou fundo. Sua princesa ficou ainda mais linda com o passar dos meses, como que isso foi possível?
Estava ciente de que fez uma promessa de não ir atrás dela de novo, mas ele não foi, de certa forma: foi ação do destino e ele não perderia essa oportunidade.
“Kat não imagina, mas o irmão dela está chegando aqui no Rio de Janeiro amanhã cedo. Vou lá falar com ela, essa é a desculpa perfeita.”
No entanto, bem quando parte em direção a ela, vê aquele moleque. Devem ter ido juntos. Mas será que eles estão juntos mesmo? Então percebe que Kat ainda está de aliança.
“Ah, quer saber? Que se f**a tudo. Estou indo, meu amor.”
Brad sai da área VIP e vai em direção a ela. Kat não percebe minha presença, então escuta um pouco da conversa que ela estava tendo com um rapaz que na certa era de sua escola.
— Você não vai ficar com o boy? — diz o garoto que está com ela.
— Não — responde Kat e isso provoca uma risada em Brad.
— Por quê? — insiste o outro. — Ele é doidinho em você, na aula só fala de você.
Isso faz Brad pensar em voltar atrás. Ora, se ele quer o bem de sua amada, tem que levar isso em consideração, pois fez uma promessa.
Abaixa a cabeça e respira fundo. Quando Brad decide voltar à área VIP ou até mesmo ir embora, ouve Kat dizer o que qualquer homem que ainda ama alguém quer escutar:
— É justamente por isso — afirma. — Não quero fazê-lo sofrer. Não quero me envolver com ninguém, eu tentei ficar com ele para ver se esquecia o Brad, só que não deu certo.
Pronto. Escutar somente aquela fala foi o que deu ânimo a Brad para retomar sua rota.
— Quer dizer que você não me esqueceu? — pergunta sem se conter.
Kat se vira. Nessa hora, Brad vê em seus olhos que ela ainda sente algo. Era real, estava no brilho de seu semblante. A esperança de ficar junto dela volta com tudo, é como se não tivessem ficado nem um mês longe um do outro.
— Meu amor, podemos conversar?
Antes que ela aceitasse ou não, aquele outro moleque chega perto dos dois como se Kat fosse dele. A vontade de Brad é matá-lo ali mesmo, já que ele a quer, mas Kat não o perdoaria. Sua princesa ainda não sabe no que se transformou, que agora era o Demônio da Austrália.
Ele pergunta se está tudo bem. Brad sorri num esgar. Como não estaria? Ele estava ali, com ela, não deixaria nada e nem ninguém fazer qualquer coisa com sua princesa. Portanto, aquela frieza que adquiriu após o término com Kat, ressurge por seu corpo, mas recua tão logo quando Brad ouve a voz dela, a voz do amor de sua vida o chamando...
— OK, meu amor, me desculpe.
Os dois conversam por um tempo e depois se abraçam. Isso não o agrada, mas Brad se controla. Pela sua princesa, domaria o demônio em seu interior. Ela fala com o tal do Fred para cuidar do moleque chamado Thiago e comunica a Isa que partirá dali com o “ex.”
Brad se sente rindo à toa. Esse é o efeito de Kat em sua vida, ela o desmonta, faz com que o seu monstro interior fique calmo. Enquanto esperam trazer o carro, Brad não resiste e a puxa para um beijo. Teme que ela não goste, mas kat corresponde. Era fabulosa essa sensação.
— Eu te amo — ele diz.
Continua beijando-a, mas se lembra de Théo e do motivo que está trazendo-o ao Brasil.
— Precisamos conversar.
— Depois, Brad.
Ela passa as unhas na nuca do rapaz, provocando-lhe um arrepio por todo o corpo.
— Ah, Kat.
Se beijam novamente. Em seguida, a caminho do apartamento, passam por uma praia e se lembram dos nossos primeiros dias no Rio. Brad resolve parar e descer, mas antes disso, Kat pergunta sobre Andressa. Brad não vê escolha a não ser contar para ela como tudo aconteceu. Só não fala do conselho assassinado por ele e de seu novo apelido: “Demônio da Austrália”.
Brad a convida para darem uma volta na praia. Os dois brincam como naquele dia. O rapaz a vê sorrindo e eles se beijam. Sente-se tão completo ao lado dela.
A dupla se senta na areia.
— Achei que o hotel já estava pronto.
— Está quase, ainda faltam alguns ajustes, mas a inauguração está perto.
— Entendi.
— Amanhã, tem uma pessoa que iria te procurar de todo jeito, por isso fui até você, para já deixar marcado.
— Quem? — ela olha assustada.
— Um tal de Theodoro Harris.
— Como? — ela gagueja. Brad não sabe dizer se é felicidade, preocupação ou medo.
— Ele precisa falar com você, sei alguns pontos da conversa, mas não tudo. De toda forma, eu não posso falar nada, sinto muito.
— Tudo bem — ela dá de ombro. — Hoje eu quero curtir esse reencontro um pouco, talvez amanhã não nos veremos mais.
Brad sente o peito apertar e vira de frente para ela.
— Não faça isso, princesa, vamos voltar. Sem você, fico sem controle, me tornei um monstro... — começa a passar na mente de Brad as coisas que ele fez.
— Brad, nossos problemas permanecem os mesmos.
Ao ouvir isso, Brad sente a necessidade de contar a ela sobre o conselho. A notícia da morte daqueles que o pressionaram para o casamento a deixou em choque:
— Você fez o que?! — exclama Kat.
Brad suspira. Entende que mesmo a menina sabendo que ele é mafioso, não deixa de ser um feito surpreendente. Afinal, o conselho era temido por todos os mafiosos, o que ele realizou foi inédito. Quando se é formado, o conselho e os integrantes se veem como superiores e intocáveis, mas Brad provou que não é bem assim.
— Não me arrependo de tê-los matado — ele diz num fôlego só. — Posso até não me casar com você, mas me recuso também a casar com qualquer outra pessoa.
— E seu patrimônio? Você precisa de um herdeiro.
— Quer me dar um? Pensa em um filho nosso?
— Brad...
— Eu sei, princesa, desculpa, mas quando eu estou com você, perco meu juízo.
Eles se beijam e seus olhos se conectam por um longo instante.
— Vamos para casa? — Brad convida.
— Vamos — ela sorri.
Brad se levanta e estende a mão para Kat. Ambos voltam para o carro e seguem para o apartamento.