Saber que Peter morreu tirou o chão de Katerina.
Ela tentava levantar a cabeça. Mostrar-se um pouco mais forte. No entanto, saber que perdeu seu filho é dilacerante. Além disso, já estava se preparando emocionalmente para não ver mais o Peter. Ele tinha um plano, sim, mas quem garante que daria certo?
Ninguém.
Kat não conhece Brad direito. Na verdade, essa foi a primeira vez que o viu na vida, mas se seu irmão Theo confiou sua vida a ele, decerto podia confiar cegamente. Fora que aos seus olhos, ele é um homem bonito. Sente-se uma pervertida quando tem esses pensamentos. Seu namorado acabou de morrer, foi tirada de sua família, então o foco não deveria ser esse.
Saíram para jantar. De fato, o Rio de Janeiro é uma cidade linda e movimentada. Kat enxerga isso como um bom fator para que se distraia e esqueça tudo o que aconteceu e, como Brad disse, está tendo uma chance de começar uma nova vida.
Após o jantar, não queria voltar para o apartamento ainda, pois sabia que quando colocasse a cabeça no travesseiro, tudo voltaria à sua mente. Queria superar logo isso, começar essa nova vida e apagar da memória tudo e todos.
Caminharam pela praia. Tiraram os sapatos e andaram na beira da água, sentindo a sensação de paz nas pequenas ondas e na brisa corrente.
De repente Brad chuta água do mar em Katerina e a garota sai correndo atrás dele sem notar que estava rindo. Assim que o alcança e o pega pela blusa, tropeçam e caem na areia. Os dois começam a rir juntos.
— Eu falei que vou fazer você rir bastante.
— Obrigada, Brad — Kat ruboriza.
No dia seguinte, os dois saíram para conhecer a cidade. Foram em vários pontos turísticos e o resultado disso foi que Kat acabou se distraindo e rindo bastante. Ela se encantou com tudo o que a vista alcançava. Principalmente com a vista do Cristo Redentor.
Após duas semanas, Katerina se sente um pouco mais leve. O peso da perda já não causava a dor avassaladora de antes. Sente-se um pouco mais conformada com sua vida.
Katerina decide que será feliz, nem que seja por Peter, pois ele morreu por sua causa, por conta do relacionamento dos dois. Porque não quis se casar com Oliver.
A garota estava certa de que seu coração ficaria trancado por um tempo, mas isso não significa que não se envolveria com ninguém. Cogitou vagamente em construir uma vida nova em nome de Peter e do filho que os pertenceria. Quem sabe não se apaixona de novo um dia?
Não que estivesse fácil viver cada hora daquele momento recuperatório. Katerina foi criada por mafiosos e isso é uma coisa que se aprende desde cedo: a qualquer instante qualquer um pode morrer, não se deve deixar que saibam das fraquezas. É preciso agir com a razão e não com a emoção. Na verdade, eles querem máquinas de matar.
Kat não absorveu tudo, segundo pensava, e agora, longe da máfia, não pretende seguir as regras dela. Afinal, não era mais Katerina Harris e sim Kathleen O ‘Brian. Escolheu esse nome para que pudesse manter seu apelido Kat e assim não estranhar tanto a nova identidade.
Tomada a decisão de seguir em frente, Kathleen se dirige até Brad, que está na sala digitando ferozmente naquele notebook dele.
— Brad — Kat o chama, sentando-se ao seu lado no sofá.
— Oi, princesa — ele fecha o notebook para me dar atenção.
Kat ruboriza, pois gosta disso: seu protetor nunca a deixa de lado.
— É que hoje é sexta-feira, eu queria sair à noite. Não sei para onde, mas podemos ir a um luau, uma boate ou algo do tipo. O que acha?
— Bom, tenho um conhecido que tem uma boate aqui perto, vou falar com ele. Como você é menor, se ele liberar, podemos ir lá.
— Muito bom — ela sorri.
— Kat, tem certeza de que quer sair?
— Tenho, Pet não gostaria que eu ficasse em casa chorando por ele — ela respira fundo. — Vou seguir com minha vida, quem sabe um dia até me apaixono de novo?
Ele dá um sorriso.
“Ah, se ele não fosse amigo do meu irmão…”, pensa Kathleen, sentindo um calor.
— Fico feliz com essa sua decisão — ele se aproxima e coloca uma mecha do cabelo de Kat atrás de sua orelha. — Como eu te disse antes, você é linda e tem que aproveitar a vida.
Kat o abraça e dá um beijo em sua bochecha. Entretanto, sai para o quarto correndo, antes que faça alguma besteira.
BRAD WILSON
“Ah, Kat, que vontade de te beijar. Cada dia que passa aumenta essa vontade”, pensa Brad.
Liga depressa para o amigo. Ele diz que está fora da cidade, especificamente em São Paulo, mas que deixará liberada a entrada de Brad e de Kat, com acesso livre para a área VIP.
Brad segue empolgado até o quarto de Kat para avisá-la.
— Ei, princesa — ele abre a porta.
Brad focaliza Kat sentada de costas. Parece estar lendo um livro, porém, com fones de ouvido. Aproxima-se devagar para não assustá-la. Daria um beijo em sua bochecha, mas ela vira o rosto, como se sentisse alguém se aproximando. Então os lábios dos dois se encontram.
O rapaz recua de olhos arregalados.
— Desculpa, Kat — ele pede, constrangido. Não negou que o momento foi incrível, apesar de pouco, mas se conteve. Não queria ser sacana a ponto de avançar o sinal com ela.
— Está tudo bem, Brad — responde Kat com meiguice. De algum modo, não parecia chateada. Seu rosto ruborizou.
Aquela tranquilidade toda faz Brad ficar desconfiado. Ele se ajoelha de frente para ela.
— Tem certeza?
— Tenho sim — ela morde o lábio inferior, olhando para a boca de Brad. Ele percebe.
Tanta proximidade, somada a tanta beleza, faz o mafioso passar a ponta dos dedos nos lábios da garota. Ambos encaram as fisionomias um do outro. Brad desvia o olhar para a boca da menina. Foi como se um vulcão entrasse em erupção em seu interior. Ele simplesmente leva a mão à nuca da jovem e a puxa para um beijo.
Brad sentiu que se derramava. Demora um pouco, mas Kat corresponde. Ela dá passagem para a língua do rapaz e o beijo mescla intenções de carinho e desejo ao mesmo tempo.
Então os dois, sem fôlego, separam os lábios e se encaram. Brad dá um selinho na garota e, como queria isso há muito tempo, acaba abrindo um sorriso, mas logo ele se volta à razão.
— Me desculpa, eu... eu... eu não resisti.
Kathleen inclina a cabeça, como se buscasse compreensão.
— Ei, calma, eu correspondi ao beijo.
Sim. E isso era surpreendente. Só não era mais incrível do que ela de súbito colocar as mãos em seu rosto e beijá-lo por conta própria. Durante o ato, Brad sussurra seu nome. Põe a garota em seu colo e toma-lhe mais uma vez os lábios. O envolvimento aquece cada vez mais e ele aperta a cintura da menina, sentindo sua mente e corpo fervilhar.
— Brad...
— Parei... parei — ele se afasta ofegante.
Ele ri da atitude abrupta. Uma pureza agradável de ver e sentir.
— É que você está me deixando louco, sabia? Já queria te beijar há muitos dias.
Brad encosta sua testa na dela e aprecia a beleza de seus olhos enquanto o faz.
— Eu não estou reclamando. Só não estou preparada ainda para o próximo passo.
— Tudo no seu tempo, princesa.
O beijo acontece novamente, com o mesmo fervor de desejo dos dois.
— Eu viciei no seu beijo — confessa o rapaz entre os lábios dela.
— Hum, e você veio aqui já com intenção de me beijar, senhor Wilson?
Ele ri.
— Não exatamente. Falei com meu amigo e ele liberou nossas entradas na boate, área VIP.
— Ah! Que legal. Obrigada por isso…
Ela torna a se aproximar de um modo provocante. Brad sequer precisa adivinhar qual seria a atitude seguinte. Logo percebe os lábios da menina se movendo gentis sobre os dele.
— Princesa, é melhor você parar de me provocar. Olha como você está me deixando.
Ela observa o volume no meio da calça de Brad e ri, saindo de cima do rapaz.
Ele também se ergue e dá mais um beijo na menina antes de ir para o quarto e se arrumar.