O sol começou a se infiltrar pelas frestas da cortina, dourando o quarto com uma luz suave. O canto dos passarinhos misturava-se ao som distante do morro que já despertava — conversas, passos apressados, o barulho de motos descendo as ladeiras. Mas ali, naquela casa no alto, o tempo parecia ter parado. Espectro ainda dormia, o rosto tranquilo, o corpo parcialmente coberto pelo lençol. Marina estava acordada havia alguns minutos, deitada de lado, observando-o. Passou os dedos com cuidado pelo peito dele, desenhando linhas invisíveis na pele quente. Era estranho pensar que aquele homem — o mesmo que fazia tantos tremerem só de ouvir o nome — podia ter um olhar tão calmo quando dormia. Ele parecia outra pessoa. Um homem simples, que só queria paz. Ela suspirou, tentando afastar os pensame

