A madrugada caía pesada sobre o morro. O céu ainda guardava resquícios de fumaça, como se o ar tivesse engolido pólvora demais. A cidade dormia, mas o coração de Marina batia acordado, num compasso de medo e saudade. Ela estava encostada no sofá da sala, o corpo coberto por um moletom dele, o cheiro de cigarro e colônia misturados na gola. Não tinha conseguido dormir desde que Espectro saíra. Cada barulho da rua, cada moto que passava, cada estalo de pneu no asfalto fazia seu corpo se arrepiar. A cabeça dela girava em pensamentos — e nenhum conseguia afastar a imagem dele indo embora com aquele olhar frio e decidido. O mesmo olhar que assustava muita gente, mas que, de alguma forma, a fazia sentir-se segura - o relógio da parede marcava 2h12 da manhã quando o trinco da porta girou. Mari

