O silêncio antes da tempestade é sempre o mais traiçoeiro. Naquela noite, a casa de Espectro no alto do morro era um refúgio de paz, um pequeno farol de normalidade em meio ao caos iminente. Ele estava deitado, o corpo de Marina aninhado ao seu. O cheiro dela, uma mistura de sabonete e flor, era o único calmante que Rafael, o homem por trás do Espectro, permitia a si mesmo. Ele não dormia de verdade; apenas repousava, o ouvido treinado para captar o menor desvio no ritmo noturno do morro. Marina dormia profundamente, alheia à guerra que se preparava lá fora. Ele acariciou o cabelo dela, sentindo o peso da responsabilidade. Se Marcão a queria, ele teria que passar por toda a força do Comando, concentrada ali. O primeiro sinal não foi um tiro, mas um estampido abafado, distante, seguido p

