O cheiro de mofo e esgoto na Baixada era a trilha sonora da minha ascensão. Não era o morro limpo e bem cuidado do Caveira, mas era meu. E em poucas horas, o dele seria meu também. Eu, Marcão, o cara que saiu do nada, ia tomar o topo. Eu tava na sala de reunião, que mais parecia uma sala suja, com o mapa do morro do Comando esticado na mesa. O tecido tava manchado de café e suor, mas as linhas vermelhas que eu tracei com caneta eram claras: rotas de ataque, pontos de bloqueio, e o alvo principal – o galpão onde o Caveira se escondia. — A gente plantou a semente da dúvida — eu disse, batendo o dedo na foto. A foto da menina, a tal Marina, a namoradinha do Espectro. Ela tava ali, na tela do meu celular, no meio de um monte de códigos e mensagens criptografadas. Uma foto simples, mas que va

