O ar da madrugada tava pesado, gelado, mas era o calor da raiva que me fazia queimar por dentro. Saí do galpão com o Caveira e o Magrão ainda discutindo o cerco, mas minha cabeça já tinha dado no pé, corrido pra casa. A imagem da Marina, aquela foto na tela do celular, grudou na retina. Parecia uma coisa de outro mundo, ela ali, na calçada, despreocupada, e a gente sabendo que aquilo era munição na mão do inimigo. A Baixada, o Marcão, aqueles vermes... eles não tavam só atrás de rota, de dinheiro, de território. Tavam atrás de mim. E o jeito mais fácil de me acertar era mirando no meu ponto fraco, na única coisa que eu tinha medo de perder. A Marina. Eu andava rápido pelas vielas, a moto fazendo um barulho surdo no asfalto irregular. Cada acelerada era um esforço pra não voltar e quebr

