( Narrado pela autora) A rua estava mergulhada em silêncio quando Espectro abriu a porta da casa de Marina. Um silêncio denso, pesado, como se até os becos soubessem que algo acontecia naquela noite. Ele saiu primeiro, os olhos atentos, farejando cada detalhe da escuridão. Marina hesitou, mas não houve espaço para recuos. A mão dele agarrou a dela com firmeza, quase dolorida, e a puxou para fora. O toque gelado dos dedos dele contrastava com o calor trêmulo dos dela. Marina tentou respirar fundo, mas o ar parecia não entrar. Era como se cada passo fosse um erro, como se o chão fosse ceder debaixo dos seus pés a qualquer momento. — Anda. — foi tudo o que ele disse, baixo, sem olhar para trás. E ela andou. O morro dormia, mas não descansava. Os becos estreitos, iluminados apenas por po

