(Narrado pela Autora) O carro corria pela avenida quase deserta, cortando a madrugada com um barulho constante do motor. Marina se encolhia no banco de trás, as mãos espremendo a alça da bolsa que trouxera às pressas de casa, como se aquele pedaço de tecido fosse sua única âncora para o mundo que conhecia. O coração ainda não tinha encontrado o ritmo certo; parecia oscilar entre explosões rápidas e pausas sufocantes. No banco da frente, os dois homens eram sombras contrastantes. Thiago, no volante, tinha o rosto jovem, sério, iluminado pelo painel do carro. De vez em quando, o brilho fraco revelava o contorno da tatuagem no braço dele e os olhos estreitos, que sempre pareciam calcular alguma coisa. Já Espectro estava ao lado, imóvel como uma estátua, o olhar fixo na estrada à frente, com

