A noite caía sobre o morro como uma capa escura. As vielas já estavam mais silenciosas, e o barulho dos rádios de comunicação ecoava entre os becos. No topo, na laje larga de uma casa antiga, o Comando se reunia. Ali não era lugar de brincadeira — cada palavra podia decidir destino, cada olhar podia valer uma vida. O vento trazia cheiro de pólvora e cigarro. Em volta da mesa improvisada — feita de madeira grossa e coberta com latinhas de cerveja amassadas — estavam alguns dos nomes mais temidos da área. Caveira, o mais velho entre eles, era quem comandava a conversa. Tinha o rosto marcado, barba grisalha e um olhar que ninguém sustentava por muito tempo. Diziam que já tinha sido segurança de chefe antigo, daqueles que sumiram sem deixar rastro. Baianinho, o braço direito dele, era o ma

