CARLINHOS - DIA SEGUINTE

1127 Words

A manhã nasceu nublada, pesada, como se o céu refletisse o mesmo peso que tomava conta do coração de Carlinhos. O morro ainda despertava devagar: os rádios das primeiras casas tocavam pagode baixo, os cachorros latiam preguiçosos, e o cheiro de café fresco misturado com pão amanhecido se espalhava no ar. Mas para ele, nada parecia ter gosto, nem cheiro, nem cor. Carlinhos caminhava de um lado para o outro dentro de seu barraco - um lugar próximo a boca. O lugar era simples, mas arrumado: uma mesa pequena com garrafas de cerveja da noite anterior, uma cadeira de plástico quebrada num dos cantos, e uma janela que dava para o beco de terra batida. A cada passo que dava, parecia que o chão vibrava junto com a raiva que lhe corroía o peito. Ele ainda não acreditava. Não queria acreditar. — O

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