( Narração de Espectro) O barulho da chuva batendo no capô do carro era o único som que quebrava o silêncio. A estrada tava escura, e a cidade já tinha sumido no retrovisor fazia tempo. O ar dentro do carro tava pesado, e eu tentava manter o foco no volante, mas a cabeça fervia. O celular do Pardal vibrava no painel com aquele último ponto marcado no mapa. Aquele desgraçado tinha deixado algo ali antes de sumir. Eu precisava saber o que era, custasse o que custasse. — A gente tá indo pra onde agora? — Marina perguntou, voz baixa. — Ultimo lugar que o Pardal passou antes de morrer. Quero ver se encontro alguma merda que ele tava mexendo. Ela assentiu e olhou pra janela, quieta. Tava tensa, eu via nos olhos dela. Não dava pra culpar. A gente vivia de fuga há dias, dormindo em carro, com

