O despertador tocou como uma sirene de guerra, e por um instante achei que ainda estava presa no beco, que o barulho vinha de uma arma disparando de novo. Pulei da cama com o coração disparado, a respiração curta, até perceber que era só o celular vibrando na mesinha. Eu não tinha dormido. Talvez alguns minutos, um cochilo inquieto, mas nada que tivesse descansado meu corpo. Meus olhos ardiam, a cabeça latejava, e cada músculo parecia pesado, como se eu tivesse carregado sacos de cimento a noite toda. Olhei para o espelho do quarto antes de me arrumar e quase não reconheci a mulher que me encarava de volta. Olheiras escuras, rosto pálido, boca seca. Uma versão gasta de mim mesma, envelhecida em uma noite. Mas eu não tinha escolha. Tinha que ir trabalhar. A vida não para, mesmo quando

