Capitulo 3

2036 Words
3. Eles sempre disseram que querem flores saindo de minha boca, palavras belas e gentis. Quando eu tiver as pétalas das flores mais belas e doces em minha boca, vou mastigar essas pétalas e cuspir as mesmas em frente aos seus pés. Eu nunca atenderei suas expectativas. Segunda-feira, 05:27; A madrugada havia sido estranha para Yuri, ele não sentiu as mãos rasgando sua pele, ou lhe sufocando e o fazendo desmaiar por falta de ar. Pela primeira vez em muito tempo, ele simplesmente dormiu. Teve um sono tranquilo sem interrupção, as olheiras que eram aparentes em seus olhos estavam mais claras. Mas mesmo dormindo, mesmo tendo um sonho estranho, ele pode ouvir um som. Um som tão bonito e tranquilo, era como se fosse uma harpa sendo tocada tão habilmente, fazendo os pesadelos que eram tão comuns para Yuri, simplesmente se dissipar, isso era totalmente estranho para ele. Yuri sonhou que estava sentado em baixo de uma árvore, uma árvore que ele nunca havia visto em sua vida. Era uma árvore grande com seu casco branco, suas folhas eram uma mistura linda de um vermelho vibrante com um rosa cereja. Por alguns segundos Yuri achou que seria uma cerejeira, mas percebeu que não era, e não conseguiu distinguir que árvore era aquela, talvez seja uma árvore rara que era desconhecida por si. Ele apenas se sentou no chão podendo tocar na grama macia e saudável, vendo o vento levar consigo pequenas folhas da árvore, tornando o local agradável e aconchegante. De longe ele po de dia ouvir o som agradável da harpa, e simplesmente aproveitou o local, até acordar com o som do despertador. Algo que havia chamado a atenção de Yuri também, era algumas letras gravadas na arvore, Ele não sabia dizer com certeza o que aquelas letras eram, provavelmente eram palavras em uma língua que ele não soube reconhecer, talvez hebraico, ele não sabia. Ao abrir os olhos de forma preguiçosa, Yuri olhou para o despertador e se sentou na cama desligando o aparelho com o som irritante para seus ouvidos. Coçou os olhos tentando raciocinar o que deveria fazer primeiro. Suspirou e olhou ao redor, ignorou o fato de Nikolai e Ethan estarem quase se matando com o olhar, então realmente não havia sido um sonho para ele, eles realmente estavam ali. Se levantou da cama e foi para o banheiro que havia em seu quarto, trancou a porta e olhou para o espelho conferindo se as folhas de jornais estavam bem coladas ali, ele havia feito isso em todos espelhos que podia, não queria olhar seu reflexo ou apenas mesmo para o espelho. Se despiu e entrou dentro do box, ligando o chuveiro e aproveitando a água quente que escorria pelo seu corpo, mas fez seus machucados recentes em suas costas arderem. Ele tentava descobrir dentro si porque não se sentia desesperado com a presença de Nikolai e Ethan, porque ele ainda não havia clamado por ajuda, ou até mesmo surtado e corrido para o mais longe possível. Mas por mais que ele tentasse, ele não conseguia nenhuma resposta. Tomou um banho longo respirando fundo, enquanto criava uma poesia em sua cabeça após desistir de tentar entender toda a situação. Algo que o Yuri sempre apreciou foi a arte, seja música, escrita ou pintura. Ele se encanta com qualquer tipo de arte. Considerava como uma válvula de escape de toda sua vida conturbada, talvez sua única fonte de vontade de viver, mas sempre parecia mais difícil de ter a arte em sua vida, e sem ela, ele sentia que podia D e s a p a r e c e r. Sua mente estava uma bagunça, principalmente por jurar de pé junto que havia desenvolvido esquizofrenia, porque tudo isso não era normal, com certeza não era. Parecia que suas emoções estavam em uma montanha-russa. Por mais que ele estivesse de certa forma assustado por estar vendo dois homens, um que supostamente é seu obsessor e quer sua morte, e outro que supostamente é seu anjo da guarda e quer sua segurança. Mesmo vendo eles, Yuri ficava feliz por não estar mais naquele inferno de vida sozinho. Ainda meio conturbado Yuri desligou o chuveiro e pegou sua toalha olhando para o chão, em seguida começou a se secar. Ao sair do box com a toalha em sua cintura, ele viu Ethan com suas bochechas coradas desviando o olhar. — Você estava me vendo tomar banho?! - Yuri perguntou incrédulo, não alto suficiente para seus pais ouvirem. — Não! Claro que não, eu cheguei aqui agora... E... Sabe... - Ethan se embolou em sua explicação. - Eu só queria ficar longe do Nikolai, só isso. — Por isso veio me ver tomar banho? - Yuri perguntou pegando o sabonete pronto para jogar no Ethan. - E como você passou pela porta do banheiro se essa p***a está trancada? — Eu já disse que eu não- Ethan foi interrompido ao ter Nikolai passando pela porta do banheiro fechada como se não fosse nada. — Festa no banheiro? - Nikolai perguntou sorrindo. - Banheiro é um ótimo lugar para os amigos ficarem juntos. — Eu não sou seu amigo. - Ethan o responde. — Nem vem que eu assisti Elite. - O mais novo entre eles diz apontando agora o sabonete para o obsessor. — Eu deveria me sentir ameaçado? - Nikolai perguntou apontando para o sabonete nas mãos do mais novo. — Não... Bem... Sim, é, deveria sim. - O responde altruísta. — Okay... - Nikolai boceja e olha para Yuri. - Oh, Yuri tenha piedade! Ethan, me proteja! - Nikolai começou exclamar fazendo um falso teatro e em seguida pulando em cima do Ethan o fazendo segurar como uma noiva. — Sai de mim, carrapato. - Ethan disse o jogando no chão. — Eu estou ficando louco. - Yuri fala para si mesmo passando por cima de Nikolai, abrindo a porta e saindo do banheiro. — Yuri! - Nikolai o chama e ele olha para ele. - Eu vi, hein. - O Maior fala dando uma risada maliciosa, Yuri fica o olhando por alguns segundos sem entender, e quando entende arregala os olhos e cora. — Vai se Catar, Nikolai. - diz jogando o sabonete nele, o objeto simplesmente passa por ele. - Por que vocês conseguem passar por portas, objetos, essas coisas? - pergunta curioso e incrédulo. — Porque não temos um corpo físico. - Ethan responde calmo. - Nós podemos tocar no que quisermos, mas não podemos ser tocados, a não ser que queiramos. — Hm... Entendi... - diz assentindo e indo para seu guarda-roupa, ele agora estava realmente assustado, caso um dos dois resolvessem o atacar, ele não poderia fazer nada. Pegou seu uniforme que estava já passado no cabide, e uma cueca. Vestiu sua roupa com pressa, e pegou sua gravata. Seu uniforme era formado por uma blusa social branca com o brasão da escola em seu peito, calça e paletó de cor Naval, uma gravata da mesma cor de seu uniforme. No paletó havia o brasão da escola, e em cima do brasão havia o nome de "Yuri Roux" gravado. Era o típico uniforme tradicional de escolas na região por onde Yuri morava. Assim que terminou de se vestir voltou para o banheiro para escovar os dentes, assim que Yuri escovou seus dentes, olhou para Nikolai e Ethan que estavam escorado na porta do banheiro. — Vocês vão para a escola comigo? - Yuri perguntou curioso. — Eu tenho que ir onde você for, Yuri. - Ethan o respondeu com desinteresse e Nikolai revirou os olhos com a fala do mesmo. Yuri apenas assente, e vai para a sua escrivaninha pegando sua mochila, confere se sua carteira tem dinheiro e se seu cartão de passagem e escolar estavam ali. Assim que confere sai de casa fazendo silêncio para seus pais não acordarem. Quando Yuri sai de casa, acaba cumprimentando alguns vizinhos que saiam de casa, ou cuidava de seu jardim, olhou para trás e viu dois vultos saindo de sua janela, e agora sobrevoando o céu, com certeza era Nikolai e Ethan. O garoto apressou os passos até a estação de trem, quando conseguiu entrar já correu para não perder seu trem. Suspirou aliviado quando percebeu que teria lugar para sentar, e não teria que ficar uma hora e meia em pé. Após longos minutos de espera o trem chegou e Yuri se apressou para sentar. Olhou para a estação e uma pessoa chamou sua atenção, uma garota que parecia ser do seu colégio, Yuri tentou lembrar do nome dela e nada veio em mente. Estranhou por ela estar parecendo tão avoada, mas resolveu deixar para lá, a garota simplesmente começou a correr para longe do Trem na direção que ele deveria andar. Assim que o trem começou a andar e pegar velocidade, ouviu um grande barulho e gritos vindos do lado de fora, e logo percebeu que o rito de passagem havia acontecido mais uma vez. Alguém havia se jogado na frente de seu trem. Era quase um rito de passagem alguém se jogar na frente dos trens nessa estação, ou em outras próximas. Todas apenas tentando acabar com seu sofrimento, tirando a própria vida. Yuri começou a ouvir as pessoas reclamarem de que vão chegar atrasada, e em como aquela pessoa que se jogou em frente ao trem atrapalhou suas vidas naquele momento. Alguns paramédicos da estação tiraram a garota de baixo do trem parado, as pessoas apenas sabiam falar: "Agora vou chegar atrasado(a) em meu trabalho.", mas nenhum: "Que tragédia, sinto muito por essa pessoa, deve ter sofrido tanto.". Yuri pode ver a pessoa que se jogou na frente do trem ser levada na maca, e percebeu que era a mesma garota que chamou sua atenção. — Eu não sei seu nome, mas me importo com você. Me desculpe por não poder ter feito nada, sinto muito e descanse em paz. - Yuri sussurrou olhando para a garota, por mais que Yuri não tivesse uma religião firmada, ele resolveu rezar silenciosamente pela alma da garota. Assim que o Trem volta a andar, e percorrer o caminho que eles deveriam ter seguido a momentos atrás, as pessoas passam a agir como se a vida daquela pessoa que se jogou na frente do trem não fosse simplesmente nada. Essa seria uma representação claro da vida? Que não importa quanto você tente deixar marcas importantes, tentar ser uma pessoa importante, você não vai ser importante. Sua existência não tem importância, você não é importante, por mais que você faça falta por cerca de uma semana, depois disso ninguém vai lembrar de você. Somos como um grão de areia na praia, por mais que existimos, apenas as pessoas que estão no nosso arredor vão perceber nossa existência, mas quando nossa presença for levada pelo vento ou mar, ninguém vai mais se lembrar de quem é você, de onde você estava, que grão você seria entre os milhões de grãos existentes. O tempo vai levar sua vida e acabar com sua existência. Nossa realidade é baseada no tempo, a durabilidade e permanência de nossas vidas é baseada no tempo, mas o tempo... N ã o e x i s t e. Essas palavras e pensamentos que passavam pela cabeça de Yuri. Cansado de pensar sobre a vida humana, O garoto apenas pegou seus fones de ouvido e começou a escutar uma boa música, enquanto olhava uma senhora vendendo comida dentro do trem. Mesmo o garoto não tendo a mínima vontade de comer algo, resolveu comprar um onigiri caseiro que a senhora vestida totalmente de branco estava vendendo. A senhora se aproximou com um sorriso gentil, ficando feliz por alguém daquele local ter prestado atenção em si, já que suas vidas corridas e importantes eram muito superioras à de uma senhora que vende comida em trem. — Obrigada pela atenção, jovem... - a senhora forçou a vista para ler o nome do garoto em sua roupa. - Jovem Roux... Que Oxalá te proteja. - A senhora disse gentilmente. — A-Amém. - O garoto gaguejou tentando raciocinar quem seria Oxalá. Assim que ele pagou a senhora e pegou seu Onigiri em mãos a senhora se curvou brevemente e voltou a caminhar pelo trem.
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