A reunião terminou no seco. Ninguém se despediu com aperto de mão. O medo tinha selado os lábios dos conselheiros. Eu me levantei, guardei a faca tática na bainha e saí do galpão subterrâneo sem olhar para trás. Lá fora, a noite já tinha engolido o Morro da Tormenta. O céu estava preto, sem estrelas, como se até o universo estivesse de luto pelo que ia acontecer. O vento soprava frio nas vielas, trazendo o som distante de um funk proibidão que rolava em algum setor da comunidade. Eu caminhei uns passos à frente, sentindo a adrenalina do abate ainda vibrando nas minhas veias. O Coveiro vinha logo atrás, como uma sombra silenciosa que nunca erra o bote. — Coveiro — chamei, a voz baixa, saindo como um rosnado por entre os dentes. — Fala, patrão — ele respondeu, parando exatamente à minha

